Conferencistas – I Seminário Internacional Arte, Ciência e Diversidade

Kabengele Munanga nasceu na República Democrática do Congo, antigo Zaire, em 19 de novembro de 1942. Foi o primeiro antropólogo de seu país, saindo pela primeira vez para fazer mestrado na Bélgica. Chegou ao Brasil por convite de um colega, terminou seu doutorado em Ciências Sociais (Antropologia Social) pela Universidade de São Paulo(1977), depois retornou ao Congo. Em 1980 veio para o Brasil, para assumir a cadeira de Antropologia na Universidade do Rio Grande do Norte. Depois de um ano muda-se definitivamente para São Paulo, tomando como sua casa a Universidade de São Paulo. Tem cinco filhos, dois belgas, dois congoleses e um brasileiro. Atualmente é Professor Titular da Universidade de São Paulo.Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia das Populações Afro-Brasileiras, atuando principalmente nos seguintes temas: racismo, identidade, identidade negra, África e Brasil, dando ênfase às relações raciais e interétnicas entre negros e brancos no Brasil e aos Processos políticos e culturais em África. Entre os textos publicados pelo autor temos, à guisa de exemplificar a centralidade de enfoques alusivos às temáticas voltadas as relações interétnicas e aos processos culturais respectivamente no Brasil e África, as seguintes obras:

  • Os Basanga de Shaba. Um Grupo Étnico do Zaire. Col. Antropologia, Universidade de São Paulo, 1986.
  • Negritude: Usos e Sentidos. Ed. Ática, São Paulo, 1986.
  • A Revolta dos Colonizados. O Processo de Descolonização e as Independências da África e da Ásia. Atual Editora, São Paulo, 1995.
  • Estratégias E Políticas De Combate À Discriminação Racial. Edusp/Estação Ciência, São Paulo, 1996.
  • “African Studies Outside Africa: Latin America”. In: Encyclopedia of Africa South of the Sahara. John Middleton (Editor), 1997, pp. 448-450.

Destacamos, considerando o Dia Nacional da Consciência Negra  e o 1 Seminário Internacional Arte, Ciência e Diversidade, o livro    “Rediscutindo a mestiçagem no Brasil, obra  na qual  o professor Kabengele Munanga demonstra como inúmeros autores europeus considerados clássicos e inatacáveis em nossos currículos advogam as mais ensandecidas teorias racistas e, ao mesmo tempo,  aponta, na contramão do branqueamento inculcado no imaginário nacional e nos espaços de poder, o processo de enegrecimento físico da população brasileira.

 

Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva é Professora Titular em Ensino-Aprendizagem das Relações Étnico-Raciais junto ao Departamento de Teorias e Práticas Pedagógicas do Centro de Educação e Ciências Humanas-UFSCar, pesquisadora junto ao Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFSCar. É atualmente professora Emérita da Universidade Federal de São Carlos.  Em 21 de março de 2011 foi admitida, pela Presidenta da República Dilma Rousseff , na Ordem Nacional do Mérito, no Grau de Cavaleiro, em reconhecimento de sua contribuição à educação no Brasil. Em junho 2010 foi indicada como Somghoy Wanadu-Wayoo, ou seja conselheira integrante do Conselho do Amiru Shonghoy Hassimi O. Maiga, chefe do Povo Songhoy, no Mali. Por indicação do Movimento Negro, foi conselheira da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, mandato 2002-2006. Nessa condição foi relatora do Parecer CNE/CP 3/2004 que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afrobrasileira e Africana e participou da relatoria do Parecer CNE/CP 3/2004 relativo às Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia.  Em 2011, recebeu homenagem da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), das mãos da Ministra Luiza Helena Bairros, o prêmio Educação para a Igualdade, por ser a primeira mulher negra a ter assento no Conselho Nacional de Educação, por relevantes serviços prestados ao País e pela valiosa contribuição para a educação brasileira no combate ao racismo.