Feriado estadual de 25 de março lembra abolição da escravatura no Ceará

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Detalhe do quadro de Auguste François Biard (1798-1882): A abolição da escravatura

O Ceará comemora, neste dia 25 de março, a declaração da abolição da escravatura, realizada em 1884, quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea, tornando o estado como a primeira província a decretar, oficialmente, o fim da escravidão no Brasil. Embora a data oficial seja 25 de março de 1884, alguns historiadores consideram que o evento ocorreu no dia 01 de janeiro de 1883, em frente à igreja Matriz, na Vila do Acarape, atual município de Redenção, em um ato marcado pela entrega das cartas de alforria às 116 pessoas escravizadas ali existentes, na presença de José do Patrocínio e de outros abolicionistas.

Após 130 anos do fim da escravidão, esse tema ainda gera polêmicas e discussões. Pesquisas acadêmicas no âmbito da História, da Antropologia e da Sociologia, realizadas nos últimos 20 anos, propõem um olhar mais crítico sobre a abolição, em especial, na perspectiva de resgatar o protagonismo dos próprios africanos escravizados na luta pela libertação.

Diante da relevância deste fato para a cidade de Redenção e para o estado do Ceará como um todo, a Data Magna contribui para o debate sobre este momento histórico, buscando compreender a atual configuração social do país. Por conta da abolição pioneira, o estado do Ceará ficou conhecido como “Terra da Luz”.

Instalação da Unilab, em Redenção

Na proposta de interiorizar a educação superior no país, em consonância com o pioneirismo na abolição da escravatura, assim como outros fatores, a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira se instalou na cidade de Redenção, evidenciando o papel da educação como instrumento de aproximação das relações entre Brasil e África.

Nesse sentido, a Unilab foi criada em julho de 2010 com o objetivo de promover a formação científica, técnica e cultural de estudantes brasileiros, em especial da Região do Maciço de Baturité, e de estrangeiros, principalmente vindos de países africanos. A universidade surge como uma das possibilidades para contribuir com a realidade da região e dos países parceiros, assim como para incentivar que estudantes do continente africano tenham uma experiência de formação acadêmica no Brasil.

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Reitora da Unilab, Nilma Lino Gomes

A reitora da Unilab, Nilma Gomes, destaca a importância desta data para a reflexão do tema. “Somos sujeitos da nossa própria história. Essa afirmativa se reforça ainda mais quando refletimos sobre determinados acontecimentos da vida social. Em 1883, na cidade de Redenção, no Ceará, a abolição da escravatura se tornou um fato. Em 2011, um grupo de jovens africanos chega a esta mesma cidade para estudar na Unilab. Os dois acontecimentos nos falam da luta por libertação e emancipação social. Os milhares de africanos escravizados no passado colonial, no Brasil, construíram em nosso país uma trajetória de luta e resistência e nos deixaram esse legado. Hoje, a presença dos estudantes africanos na Unilab e a própria existência desta universidade no contexto da cooperação Sul-Sul é expressão de um processo de reconhecimento histórico e político do Brasil em relação ao continente africano, reforçando nossa responsabilidade institucional e política”.

O feriado estadual

A iniciativa de tornar a data um feriado estadual veio do deputado Lula Morais, que apresentou uma Emenda Constitucional aprovada em dezembro de 2011 pela Assembleia Legislativa do Ceará e promulgada com divulgação no Diário Oficial do Estado.

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