Comunidade acadêmica participa de roda de conversa com representantes de países da CPLP sobre desertificação

Representantes de países de língua portuguesa discutem na Unilab o tema da desertificação.

Representantes de países de língua portuguesa discutem na Unilab o tema da desertificação.

Que ações conjuntas os países de língua portuguesa podem realizar no combate à desertificação? Precisamos de cooperação técnica, instrumentos, formação de profissionais? Com estes questionamentos, ocorreu na tarde desta segunda-feira (17), no auditório do Campus da Liberdade, roda de conversa sobre desertificação, envolvendo a comunidade acadêmica e os representantes de países de Língua Portuguesa.

A delegação – composta por representantes dos pontos focais da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (UNCCD) nacionais do Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné-Equatorial – apontou as diversas realidades e problemas enfrentados nos países, questões mais urgentes e carências.

Em Moçambique, já foi realizado um levantamento de 25 áreas críticas de erosão e há a Estratégia de Prevenção e Controle de Erosão do Solo. Outra questão urgente são as queimadas. “Nós queremos fazer a estimativa de quantos hectares estão comprometidos e para isso precisamos de profissionais e instrumentos. Vimos uma parceria com a Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] e também queremos uma espécie de ‘contrapartida social’ da mineração, uma das maiores responsáveis pela erosão”, detalha o representante do país, Custódio do Conceição.

Já o Timor-Leste quer conhecer melhor as bacias hidrográficas das regiões, com dados relativos à demografia e economia. “Precisamos de auxílio técnico. Mandamos pessoas para estudar na Nova Zelândia, mas voltam e acabam não trabalhando com o tema”, afirma o membro da delegação, Mario Ribeiro Nunes.

Em Cabo Verde, as saídas para a desertificação passam pela gestão sustentável das terras e os sistemas agroflorestais, que são formas de uso da terra em que não há segregação entre floresta e agricultura. “Temos de fazer o combate à pobreza e pensar na segurança alimentar das populações atingidas pela desertificação. Queremos entender, por exemplo, como muda a economia dessas populações”, complementa o representante de Cabo Verde, Domingos Barros.

Durante a manhã, a mesma delegação se reuniu com a reitora Nilma Gomes, com o diretor do Instituto de Desenvolvimento Rural e articulador desta visita à universidade, Rodrigo Aleixo, e com os demais gestores da Unilab para trocar experiências sobre o tema da desertificação. O encontro foi mediado pela reitora Nilma Gomes, que apresentou o panorama geral da universidade e destacou a importância de discutir assuntos de interesse da comunidade acadêmica e dos países parceiros da instituição.

Gestores da universidade se reúnem com representantes de países de língua portuguesa sobre desertificação.

Gestores da universidade se reúnem com representantes de países de língua portuguesa sobre desertificação.

Durante a reunião com os gestores da Unilab, os visitantes relataram a situação da desertificação em seus países e as alternativas que estão sendo realizadas para solucionar o problema.

A visita à universidade faz parte de um plano de atividades, que teve início durante a Conferência das Partes (COP-11) da UNCCD, realizada na cidade de Windhoek, capital da Namíbia, em setembro de 2013. Paralelo a este evento, representantes do Brasil e de países de expressão em Língua Portuguesa se reuniram e perceberam a existência de pontos em comum em relação ao tema do meio ambiente nestas nações, como as boas práticas voltadas para a segurança de energia, segurança alimentar e a conservação do meio ambiente e combate à desertificação.

Diretor do Departamento de Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente, Francisco Campello.

Diretor do Departamento de Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente, Francisco Campello.

Segundo o diretor do Departamento de Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente do Brasil, Francisco Campello, a partir do encontro na Namíbia, o grupo decidiu fortalecer as parcerias e desenvolver ações para a formação técnica e troca de experiências entre os membros dos países. Uma dessas atividades foi o intercâmbio de conhecimento entre a comitiva e a Unilab.

Após a visita à Redenção, a comitiva seguirá para a Universidade Federal do Cariri (UFCA) para o Seminário Internacional “Convivência com o Semiárido: Desafios e possibilidades no âmbito das ações para o combate à desertificação”. Também participam desse evento três professores do Instituto de Desenvolvimento Rural da Unilab. Em seguida, os representantes farão uma reunião técnica em Campina Grande, no Instituto Nacional de Semiárido (INSA) para discutir os projetos que serão desenvolvidos a partir das visitas e encontros realizados durante os dias da comitiva no Brasil.

Conceito

A desertificação é definida, segundo a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, como a degradação da terra, nas zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas, resultante de vários fatores e vetores, incluindo as variações climáticas e as atividades humanas. Assim, é um processo induzido por práticas inadequadas de gestão dos recursos naturais para o atendimento às demandas socioeconômicas da região. Diferente das secas, que são fenômenos naturais, a desertificação pode ser evitada por meio de ações de convivência sustentável com a semiaridez.

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