CABO VERDE – País comemora 40 anos de independência

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As comemorações dos 40 anos de independência de Cabo Verde começaram cedo neste último domingo (05), com a deposição de uma coroa de flores pelo Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, no memorial Amílcar Cabral, o “pai das nacionalidades guineense e cabo-verdiana”. Nas palavras do presidente, tratou-se de “um gesto de reconhecimento e gratidão àqueles que, em primeira linha, lutaram pela independência”.

Ao discursar na sessão solene comemorativa dos 40 anos da Independência Nacional, Jorge Carlos Fonseca chamou atenção para as desigualdades na distribuição da riqueza, um problema que requer uma ação firme dos poderes públicos para evitar que se transforme em um fator de perturbação e de clivagem social.

Maior desafio: combate ao desemprego e à criminalidade
Para o Chefe de Estado, o desemprego que atinge uma parcela significativa da força laboral, com destaque para os jovens, a criminalidade e a violência estão corroendo a paz social e a condicionando fortemente a liberdade das pessoas. Ele destacou ainda outros “problemas prementes”, como o tráfico e consumo de drogas, incluindo o álcool, e a descrença nas instituições, “problemas que merecem ser cuidadosamente analisados”.

Jorge Carlos Fonseca defendeu que Cabo Verde tem de dar continuidade e aprofundar as reformas já iniciadas: “Temos que reagir às mudanças que ocorrem a uma velocidade estonteante na economia internacional e no desenvolvimento tecnológico”, salientou, admitindo que “muito e bom trabalho já foi feito, mas os resultados continuam aquém das expetativas e das necessidades”.

Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, corta o bolo dos 40 anos da independência de Cabo Verde (Foto: Nélio dos Santos/DW)

Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, corta o bolo dos 40 anos da independência de Cabo Verde (Foto: Nélio dos Santos/DW)

Cabo Verde: exemplo para África
Cabo Verde, país considerado exemplo de democracia, transparência e boa governança na África, proclamou a independência no dia 5 de Julho de 1975, no mítico Estádio da Várzea, na Cidade da Praia. O texto da proclamação da República de Cabo Verde foi lido por Abílio Duarte, primeiro presidente da Assembleia Nacional Popular, que foi constituída no dia 4 de Julho de 1975 por 56 deputados.

A Deutsche Welle falou também com o militar Roberto Fernandes, o homem que no dia 5 de Julho de 1975 içou, pela primeira vez, a bandeira nacional. 40 anos depois Roberto Fernandes disse:”Foi uma enorme honra ter sido escolhido para içar a primeira bandeira de Cabo Verde. Por isso me sinto orgulhoso e, de certa forma, privilegiado”.

Convidados de honra de Portugal e de Angola
Vários países enviaram delegações para as celebrações dos 40 anos de independência de Cabo Verde: Angola enviou o vice-chefe do Estado-Maior General para as Infra-Estruturas e Logística, Geraldo Abreu. Nas celebrações também estiveram alguns militares angolanos que participaram numa parada militar. A China esteve representada pela vice-ministra da Saúde e Planeamento e Portugal pelo Primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que salientou o fato de Cabo Verde ser “um caso ímpar de sucesso em África”. O chefe do governo de Portugal disse: “Olhamos para Cabo Verde e vemos hoje um país com um rendimento médio acima da média e com uma democracia enraizada e estabilizada”.

A visita de Pedro Passos Coelho permitiu também lançar as bases da cooperação Cabo Verde – Portugal para o triênio 2016-2019: “Vamos reforçar a cooperação em áreas importantes como a saúde, a educação e a justiça e alargá-la à componente institucional, nomeadamente ao combate ao terrorismo e ao narcotráfico.”

Fonte: Deutsche Welle

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