Campanha “Chega de violência de gênero!” é lançada na Unilab com a presença de Maria da Penha

Professora Violeta Holanda, coordenadora do NPGS, fala ao lado da mesa de abertura

Professora Violeta Holanda, coordenadora do NPGS, fala ao lado da mesa de abertura

A comunidade acadêmica da Unilab lotou o auditório do bloco didático do Campus da Liberdade, em Redenção-Ceará, na última quinta-feira (23), para o lançamento da campanha “Chega de violência de gênero!”. A ação é desenvolvida pelo Núcleo de Políticas de Gênero e Sexualidades (NPGS), vinculado à Pró-Reitoria de Políticas Afirmativas e Estudantis, e pelo Grupo de Pesquisa Fempos (Pós-colonialidade, Feminismos e Epistemologias Anti-hegemônicas), do Campus dos Malês. A expectativa de muitos era ainda maior para conhecer a mulher que dá nome à lei federal 11.340/06, a farmacêutica cearense Maria da Penha. Ela compareceu ao evento acompanhada da vice-presidente do Instituto Maria da Penha, professora Regina Célia Barbosa. A comunidade do Campus dos Malês, na Bahia, participou por videoconferência.

Comunidade acadêmica marcou presença no evento

Comunidade acadêmica marcou presença no evento

A campanha, desenvolvida em parceria com o Centro de Referência da Mulher, de Redenção, e com a Pró-Reitoria de Relações Institucionais, prevê debates intercalados entre o Campus da Liberdade e o Campus dos Malês com o intuito de evidenciar a situação das mulheres e da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e trans) em seus múltiplos contextos socioculturais. É o que explica a coordenadora do NPGS, professora Violeta Holanda. “O objetivo é sensibilizar a comunidade acadêmica da Unilab à percepção da diversidade de gênero e a compreensão da problemática da violência relacionada a atitudes machistas, sexistas, homo-lesbo-trans-fóbicas, racistas e xenofóbicas”, disse ela na abertura do evento.

Maria da Penha

Maria da Penha

Maria da Penha fez questão de salientar a expectativa que tinha de estar na Unilab e sua satisfação com o momento. Em sua fala, ela tratou de situações familiares marcadas pela violência, práticas educativas que contribuem para uma mudança na forma de tratar a mulher e defendeu a implantação no município de Redenção de todos os equipamentos de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar. “Nós sabemos que o estado do Ceará carece de delegacias [de Atendimento à Mulher], de políticas públicas, como o Centro de Referência da Mulher, casa-abrigo e o Juizado [de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher], para que acelere o processo de quem cometeu uma agressão contra sua mulher”, enumera ela, que foi vítima de violência doméstica em um período em que não existia delegacia da mulher no Brasil e cujo processo judicial demorou 19 anos e 6 meses.

Para ela, autora do livro “Sobrevivi… Posso contar”, o homem machista é aquele que não sabe tratar a mulher como pessoa humana e pensa que pode bater nela ou assassiná-la. “Por que existe tanta agressão de homem contra mulher? Porque os homens foram educados como seres superiores. O homem é valorizado na nossa cultura como aquele que tudo pode fazer; pode maltratar sua mulher porque ela é uma propriedade dele. Essa cultura só pode ser desconstruída através da educação, que é o que a Unilab tenta fazer. E como a criação do Instituto Maria da Penha, em 2009, acredita exatamente na educação como transformadora de uma sociedade, é por isso que eu estou feliz de estar aqui”, afirma ela.

(esq. p dir.) Pró-reitor de Relações Institucionais, Edson Borges; prefeito de Redeanção, Manuel Bandeira; reitor Tomaz Aroldo Santos; primeira-dama, Vasti Bandeira; e o vice-reitor, Aristeu Rosendo.

(esq. p dir.) Pró-reitor de Relações Institucionais, Edson Borges; prefeito de Redeanção, Manuel Bandeira; reitor Tomaz Aroldo Santos; primeira-dama, Vasti Bandeira; e o vice-reitor, Aristeu Rosendo.

O evento contou com a participação do reitor da Unilab, Tomaz Aroldo Santos; o vice-reitor Aristeu Rosendo; o pró-reitor de Políticas Afirmativas e Estudantis, em exercício, Carlos Subuhana; e o pró-reitor de Relações Institucionais, Edson Borges. Também estiveram presentes o prefeito de Redenção, Manuel Bandeira; a primeira-dama do município, Vasti Bandeira; e a coordenadora do Centro de Referência da Mulher, de Redenção, a advogada Laize Luna. Para o reitor, “Maria da Penha soube transformar seu sofrimento em caminhos de liberdade, o que está na direção de libertar também a nós, homens, das nossas fraquezas. Se a violência está no campo da cultura, aí também está um campo de atuação educacional e é essa a principal contribuição que as instituições da educação podem dar, em especial uma universidade como a Unilab, que, por sua constituição, é essencialmente diversa, especialmente pela diversidade cultural”.

Professora Regina Célia Barbosa, vice-coordenadora do Instituto Maria da Penha

Professora Regina Célia Barbosa, vice-coordenadora do Instituto Maria da Penha

Doutoranda em Direito, Justiça e Cidadania para o século XXI, pela Universidade de Coimbra, a professora Regina Célia desenvolve tese sobre o impacto da violência de gênero, resultado de conversas com Maria da Penha. “A mentalidade era que violência de gênero estava localizada, no gueto, específico: na mulher sem educação, desbocada, na negra, na empregada doméstica, no sem instrução. Um dos maiores feitos do caso de Maria da Penha e de ela ter a coragem de denunciar é que ela revelou um outro âmbito:  aqui, na minha formação bioquímica, farmacêutica, mestra, com formação na USP, em um nível social diferenciado, aqui também tem violência”, disse. Tratando, entre outros pontos, sobre negligências e hipocrisias na questão da violência de gênero, mudança de cultura, ações educacionais e de assistência desenvolvidas através do instituto e a experiência de aprendizado com Maria da Penha, ela concluiu com um exemplo familiar: “Tenho dois filhos, de 16 e 14 anos, que estão aprendendo a ser homens com o pai e comigo, juntos, não separados. O respeito à mulher vem através do homem e o respeito ao homem vem através da mulher. E eu acho fundamental que o respeito a si mesma venha de você”, disse, voltando-se especialmente às mulheres presentes no evento.

Confira os vídeos com as falas de Maria da Penha e Regina Célia Barbosa:

 

 

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