Pesquisadora do Masts apresenta seminário “Produção e Tecnologia no Campo” sobre Biogestor

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No último dia 16, ocorreu o seminário “Produção e Tecnologia no Campo”, em que a mestranda Maria Luciene da Silva apresentou o resultado final do estudo sobre “Biogestor”, na propriedade de Edilson Santiago e Flávia Sena, na comunidade de Uruá, município de Barreira/CE. O estudo tem a coordenação do professor Juan Carlos Alvarado, do Mestrado Acadêmico em Sociobiodiversidade e Tecnologias Sustentáveis (Masts), e co-orientação do professor Cícero Saraiva, do Instituto de Engenharias e Desenvolvimento Sustentável (Ieds).

De forma interativa e objetiva, o evento contou com a participação dos convidados que compuseram a mesa, o analista técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Alfredo Alves, o técnico agrícola da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), Marcílio dos Santos, o pesquisador da Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec), Ari Clécius, o produtor e coordenador da Associação dos Cajucultores do município de Barreiras, Miguel Chagas, além de um grupo de alunos coordenados pela professora da disciplina Introdução a Engenharia, Maria Cristiane, do Instituto de Engenharias e Desenvolvimento Sustentável (Ieds), outros pesquisadores e representantes da comunidade dos municípios de Barreira, Acarape e Redenção.

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Maria Luciene da Silva apresentou a aplicabilidade e as vantagens da instalação de um biogestor na comunidade rural. Segundo ela, apesar de pouco tempo de instalação, “já se observa que, além de ser um objeto que está tratando os dejetos suínos da propriedade, também gera biogás em substituição ao uso do gás de cozinha e produz biofertilizante para uso na plantação ou, futuramente, produzir em quantidade para ser vendido aos proprietários rurais mais próximos”.

Para o professor Juan Carlos, as vantagens da instalação do biogestor nas comunidades rurais é ser prática e sustentável, “o lixo será tratado para que não seja colocado na rua e depois recolhido. A partir da instalação deste equipamento, faz-se uso de uma tecnologia sustentável em que introduzimos a matéria-prima para produção do composto orgânico que produzirá gás metano de uso na cozinha, adubo orgânico e fertilizantes para a produção agrícola, realizando assim ciclo virtuoso, proporcionando a sustentabilidade das propriedades que fazem uso desta tecnologia”, complementa.

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Para o proprietário Edilson, a instalação do biogestor já era um sonho. Após diversos transtornos com os dejetos dos suínos, o agricultor buscou junto à pesquisadora Luciene a execução da tecnologia com um investimento inicial de R$ 2.903,50. Foram instalados a Câmara de Biogestão, a caixa de carga e do sistema de descarga na sua propriedade. Após dias de cargas, Edilson constatou a produção de biogás ao acender com o isqueiro e a aparição da chama de fogo, “para mim foi uma felicidade medonha”, afirmou. O produtor deu continuidade com testes e adaptações a outros instrumentos, como ao fogão e às ligações diretas às plantações no uso do biofertilizante.

Iniciativa da Unilab na prática das pesquisas junto ao campo

As vantagens para o estudo, ensino e prática do biogestor é que “nossos alunos aprendam a produzir o biogás, o adubo, aprendam também as reações químicas que têm dentro do biogestor e no futuro, vão aprender produzir energia sustentável”, explicou o professor Juan Carlos.
Para Alfredo Alves, analista técnico do Sebrae “é muito louvável essa iniciativa do Edilson em abrir as portas da propriedade, de querer receber essa tecnologia, e ter a Universidade fazendo da propriedade um laboratório”.

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Para Jangirglédia Oliveira, formada em ciências e bacharel em Administração, que está pleiteando a uma vaga no Masts para dar continuidade à pesquisa do biogestor, sob a temática de análise dos gazes produzidos e suas variações químicas, “temos que partilhar a teoria e trazermos a prática, porque é por essa ligação que a disseminação e a fixação do conhecimento torna-se fundamental à qualquer projeto de pesquisa”, explica. Assim como complementa Ari Clécius, pesquisador da Nutec, “bom saber que o papel da academia tem a parte técnica como importante, mas a parte aplicada é bem mais, veja o caso do Edilson, a prática executada tendo resultado final, a saída do gás direto no fogão”.

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Para finalizar, Marcílio dos Santos, técnico agrícola da Ematerce, explicou aos alunos presentes e futuros engenheiros e pesquisadores, que têm muitos desafios pela frente, “não estamos no semiárido para combater a seca, estamos para conviver com ela mesmo sabendo que muitos agricultores são resistentes ao novo na implantação das tecnologias”.

BOTAO AVALIE

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