Servidoras e alunas buscam conciliar a rotina da universidade com as atividades como mães

Oito horas diárias de trabalho mais o tempo de deslocamento entre o município de Redenção/CE, onde fica a Unilab, e a residência na capital cearense. A distância: cerca de 55 km. Números de uma matemática desafiadora para a servidora Aparecida Moura ao conciliar a rotina de trabalho e os cuidados com sua filha de três anos. Mesmo com experiências e soluções distintas, esse é um desafio semelhante para muitas servidoras e alunas da Unilab ao articular a rotina da universidade com o cuidado dos filhos.

“Não é fácil, nos preocupamos mais com a falta de tempo, buscando adaptar os horários dos filhos com as atividades cotidianas”, declarou Aparecida Moura, que é chefe de Secretaria do Gabinete da Reitoria da Unilab. Em meio às demandas institucionais do setor, ela fala do esforço necessário para participar das atividades escolares, da educação familiar e dos momentos de lazer que os filhos em fase de crescimento precisam. A compensação vem aos finais de semana, quando o tempo é planejado para ficarem juntas o máximo possível praticando atividades de lazer e descanso mútuo. Ela garante que todo o esforço vale muito a pena. “É difícil mensurar o prazer que existe em ser mãe!”, conclui.

Cida Moura, chefe de Secretaria do Gabinete da Reitoria da Unilab

Já para quem é professora universitária, as atividades variadas entre sala de aula, pesquisa científica e ações de extensão exigem uma organização de tempo bem específica para garantir a participação na vida dos filhos. A busca pela qualidade de vida mais próxima à sua filha foi o caminho traçado pela professora do Instituto de Humanidades e Letras (IHL), Larissa Gabarra, que se mudou para Acarape/CE, município vizinho a Redenção e que também conta com campus da Unilab. “Estando mais próxima, posso estar na universidade e vir almoçar em casa”, pontuou Larissa.

Diante desses e de outros desafios de mães e pais, Larissa Gabarra desenvolveu o projeto de extensão Centro Integrado de Atenção e Desenvolvimento Infantil (Ciadi), que agrega os seis institutos da Unilab, além da Pró-Reitoria de Relações Institucionais (Proinst), da Pró-Reitoria de Políticas Afirmativas e Estudantis (Propae) e da Pró-Reitoria de Extensão, Arte e Cultura (Proex), como uma forma de proporcionar uma educação diferenciada, de forma mais presente junto aos filhos. Segundo a professora, o projeto Ciadi é aberto à comunidade e tem a proposta de desenvolver ações integradas e interdisciplinares para o atendimento de crianças por meio da capacitação de professores da rede de ensino infantil, formação de estudantes, além do suporte e atendimento à criança. A ideia é “pensar a educação de forma integrada, não somente no desenvolvimento da educação ou da ação cognitiva e psicomotora, mas no manejo com a terra, a ludicidade, a questão da nutrição”, esclareceu.

Lailla Queiroz, estudante do curso de Agranomia.

Para a estudante do curso de Agronomia, Lailla Queiroz, mãe aos 20 anos, a rotina entre os estudos e a maternidade de uma garotinha de 3 anos não é tarefa fácil. As dificuldades para ela se intensificaram na fase do primeiro ano da criança, quando precisava levá-la para o campus por diversas vezes, devido à falta de uma babá permanente. No momento, quase finalizando o curso com duração de cinco anos, Lailla relata que a rotina “está leve, por ter menos disciplinas para cursar”, buscando, ao máximo, conciliar os horários da filha com os do casal.

A secretária executiva da Procuradoria Federal junto à Unilab, Dayanna Scarcela, grávida de 8 meses, relata o desconforto das dores na coluna, enjoos iniciais, fadiga, sensação de cansaço e outras necessidades básicas durante o trajeto à universidade, já que o trabalho habitual na lida com os processos e atividades do setor é classificado como calmo. A preocupação de deixar o filho longe ainda não é, segundo ela, questão de aflição.

Dayanna Scarcela, secretária executiva da Procuradoria Federal junto à Unilab.

A relação futura entre a maternidade e o trabalho está sendo planejada junto com familiares, tentando compatibilizar os horários e obrigações. “Muitas ideias surgem, mas vai ser difícil conciliar já que a gente quer sempre ficar mais perto do baby”, declarou Dayanna.

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