Pesquisadores da Unilab descobrem nova espécie de vespa e homenageiam universidade

Os pesquisadores e professores Jober Sobczak e Jullyana Sobczak, vinculados ao Instituto de Ciências Exatas e da Natureza (Icen), publicaram artigo na revista Entomological Science, onde descrevem nova espécie de vespa descoberta por eles. O nome homenageia a Unilab: Eruga unilabiana, coletada no Maciço de Baturité, interior do Ceará.

Eruga unilabiana. Foto: acervo dos pesquisadores.

“A homenagem foi devido ao papel fundamental na propagação da pesquisa e desenvolvimento científico que a Unilab trouxe para a região. A biodiversidade presente nas matas do Maciço de Baturité é imensa e a Unilab possui um papel crucial para que possamos conhecer e identificar essas espécies e suas interações, contribuindo para a proteção da flora e fauna presentes neste importante fragmento de matas úmidas”, afirma Jober.

No artigo, intitulado “A vespa parasitoidea Eruga unilabiana Pádua & Sobczak, sp. nov. (Hymenoptera: Ichneumonidae) induz modificação comportamental em seu anfitrião aranha”, os professores e outros cinco pesquisadores coautores descrevem uma nova interação entre vespas e parasitoides e aranhas, ambas coletadas no Maciço de Baturité.

A nova espécie faz parte de um importante grupos de vespas parasitoides que utilizam aranhas como hospedeiras. Nesse artigo, onde a espécie Eruga unilabiana é descrita, os pesquisadores observam que a vespa, quando em fase de larva, é capaz de modificar o comportamento da aranha Dubiaranea sp., induzindo o hospedeiro a construir uma teia modificada. “Esse achado foi o primeiro caso documentado para o nordeste brasileiro deste tipo de interação. Ou seja, nós descobrimos que essa nova espécie de vespa é capaz de induzir o seu hospedeiro (a aranha) a construir uma teia modificada que, em teoria, seria mais resistente contra fatores abióticos, como vento e chuva, tornando a teia mais resistente para que durante o período de pupa o casulo não caia no solo da floresta”, explica o professor. Ele ressalta ainda que até então todos os artigos publicados sobre esse tipo de interação ocorriam apenas na região Sudeste do Brasil.

Teia mais resistente a partir da ação da Eruga unilabiana com aranhas. Foto: acervo dos pesquisadores.

A pesquisa ocorreu a partir de dois dias intensivos de coletas de aranhas parasitadas e não parasitadas em junho de 2015 em áreas de matas do município de Mulungu, no Maciço de Baturité. Ao encontrar uma aranha, os cientistas observavam se estava parasitada ou não e a coletavam em um tubo plástico. Em seguida, os espécimes foram levados para o Laboratório de Ecologia e Evolução da Unilab, sendo pesados em balança analítica e medidos com paquímetros. Esse cuidado era necessário para verificar se a vespa selecionava tamanhos de hospedeiros e os pesquisadores descobriram que sim, a nova espécie de vespa prefere aranhas de tamanho intermediário. A hipótese para essa preferência é que hospedeiros muito grandes, ou seja, com biomassa maior, trariam mais dificuldade no momento de depositar os ovos (oviposição). Por outro lado, um hospedeiro muito pequeno teria pouca biomassa para o desenvolvimento completo da prole da vespa.

Fruto de articulação interinstitucional, o artigo envolve pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e provém de dois projetos de pesquisa aprovados por agências de fomento – o primeiro, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Chamada Universal 2014-2017; e o segundo, aprovado e financiado pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), Programa de Bolsas de Produtividade em Pesquisa, Estímulo à Interiorização e à Inovação Tecnológica (BPI) 2015. Além desses dois projetos, os pesquisadores contaram com o apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Hymenoptera Parasitoides da Região Sudeste Brasileira (INCT – Hympar Sudeste), com sede na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

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