Internacionalização e fomento à pesquisa marcam abertura da IV Semana Universitária

Abertura da IV Semana Universitária da Unilab, no Campus da Liberdade, teve mesa majoritariamente feminina. Da esquerda para a direita: o pró-reitor de Políticas Afirmativas e Estudantis em exercício, Hericksson Paiva; a pró-reitora de Extensão, Arte e Cultura, Rafaella Pessoa; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Albanise Marinho; a vice-reitora, Lorita Pagliuca; a pró-reitora de Graduação, Andrea Linard; e a diretora de Educação Aberta e a Distância, Cristiane de Souza. Foto: Assecom/Unilab.

A IV Semana Universitária da Unilab, com o tema “Desafios da Internacionalização e da Interiorização do Ensino Superior”, começou hoje (25), nos campi da Unilab no Ceará e na Bahia. Em Redenção/CE, a palestra de abertura foi do pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Ceará (UFC), Antônio Gomes. Já no Campus dos Malês, em São Francisco do Conde/BA, a conferência foi comandada pelo professor, diretor e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), Lázaro Passos Cunha.

Desenvolvimento, internacionalização e interiorização

Doutor em Física pela Universidade Federal do Ceará, com estágio sanduíche no MIT-EUA, Antônio Gomes foi eleito membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências, em 2011. É professor Associado II do Departamento de Física e dono de importante bagagem no tocante à pesquisa.

O pró-reitor destacou o simbolismo especial da Unilab. “A gente sente a beleza e potência dos encontros de diferentes pessoas, culturas e nações. O conceito dessa universidade é muito especial, tem que orgulhar a todos”, disse. Antônio Gomes traçou um histórico das pesquisas acadêmicas no Brasil e caracterizou a área como “muito jovem”. A criação das primeiras agências de fomento à pesquisa ocorreu em 1951; no Ceará, a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) só viria a ser criada em 1992.

Pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFC, Antônio Gomes| Foto: Assecom/Unilab

Para o professor, o país conta com um excelente Plano Nacional de Pós-Graduação (PNP), entretanto, ainda pouco é colocado em prática, como a multidisciplinaridade, a internacionalização e a interiorização. Sobre estes dois últimos fatores, Gomes citou o fato de a maioria dos doutores do país estarem concentrados nas capitais, o que dificulta a interiorização, e dos entraves à internacionalização, como a falta de disciplinas regulares de línguas estrangeiras no ensino superior.

“Como pensar o desenvolvimento de um país continental onde você não capilariza o desenvolvimento da pesquisa? Interiorização também se insere no contexto de que o que vai ser feito em pesquisa terá repercussão também universal, como os tempos exigem”, destacou.

Foto: Assecom/Unilab

Sobre internacionalização, Gomes acredita que a pesquisa seja uma das mais eficazes maneiras de fazê-la. “A pesquisa tem o poder de fazer as universidades conversarem. Parece-me uma estratégia que devemos utilizar”, indicou, pontuando que pesquisas fora do contexto da internacionalização têm bem menos impacto mundial e, neste quesito, o Brasil estaria aquém das expectativas.

Grupo Unissons da Unilab, fruto de projeto de extensão, apresentou-se na abertura da IV Semana Universitária, no Ceará. Foto: Assecom/Unilab.

Políticas de fomento à pesquisa

Camila Rosa, estudante de BHU | Foto: Assecom/Unilab

Estudante do Bacharelado em Humanidades (BHU), no Campus dos Malês, Camila Rosa participou da Conferência de Abertura e aproveitou a Mesa encabeçada pelo diretor e presidente da FAPESB, Lázaro Passos, para buscar auxílio no fomento à pesquisa acadêmica local. Ela, que já participa de dois Grupos de Extensão, a Biblioteca Náutica e a Extensão de Capoeira, enxerga na Semana Universitária um evento de maior visibilidade aos alunos. “Muitos estudantes veem a produção científica como um bicho de sete cabeças. Eu creio que esse evento tem o intuito de apresentar os trabalhos e incentivar os alunos para que produzam”, afirmou Camila.

Abertura da IV Semana Universitária da Unilab, no Campus dos Malês – representante discente, Jane Lopes; representante da Comissão Organizadora do evento, Maria Claudia Cardoso; Diretor da FAPESB, Lázaro Passos; Diretor do Campus dos Malês em Exercício, Pedro Leyva; e representante dos coordenadores e do Instituto de Humanidades e Letras, Marcio André dos Santos | Foto: Assecom/Unilab

Na presença de mais de 120 participantes, o professor Lázaro Passos discorreu sobre a temática “Políticas de fomento à pesquisa, ações afirmativas e o projeto Unilab: desafios e possibilidades no estado da Bahia”. Após apresentar a FAPESB e suas quatro diretorias, ele afirmou que a fundação tem o papel de viabilizar ações de ciência, tecnologia e inovação no estado da Bahia, visando ao seu desenvolvimento sustentável.

Ao explanar que a Fundação trabalha com bolsas de apoio à pesquisa e parcerias de cooperação, Lázaro enfatizou a existência de editais aos quais é possível submeter propostas e receber o apoio da FAPESB. Questionado pelo diretor do campus em exercício, Pedro Leyva, sobre como um projeto de humanidades pode ser contemplado pelas políticas de incentivo à tecnologia e inovação, o diretor da Fundação garantiu que não é possível hierarquizar as áreas de saberes. “Qualquer celular tem muita arte inerente a ele”, exemplificou Lázaro. “O diálogo com a sociedade na construção da inovação é extremamente importante”, completou.

Diretor da FAPESB, Lázaro Passos | Foto: Assecom/Unilab

“A Unilab tem a forte missão de fazer ponte com os países africanos, então é importante estar atento a essa possibilidade de apoio”, destacou o representante da FAPESB, ao abordar o investimento na cooperação internacional. “O último programa que nós temos é o de popularização da ciência. É um programa de extrema importância, tendo em vista a necessidade da nossa população em se familiarizar com as temáticas científicas, para garantir a ampliação do saber científico”, ressaltou.

É buscando essa familiarização que a estudante Camila Rosa defende a necessidade de incentivo à divulgação científica. É na abertura à comunidade acadêmica e do entorno promovida pelos dois Grupos de Extensão dos quais ela faz parte, que a aluna vislumbra o desafio da academia. Nesta quinta-feira (26), a discente não poderá estar presente nas atividades da Semana Universitária, justamente porque vai acompanhar o Grupo de Extensão Biblioteca Náutica em uma atividade em São Félix/BA, disseminando a cultura aprendida e vivida dentro e fora do campus.

IV Semana Universitária ocorre até sexta-feira (27)

Durantes os dias 25, 26 e 27, cerca de 70 atividades vão acontecer simultaneamente, entre mesas-redondas, rodas de conversa, atividades culturais, palestras, minicursos, conferências e oficinas distribuídas nos campi da Unilab, no Ceará e Bahia. Confira a programação.

De acordo com a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Proppg), cerca de 2.500 pessoas se inscreveram para participar desta edição. Um total de 832 trabalhos inscritos, destes 814 são da comunidade da Unilab e 18 trabalhos de outras unidades. “A universidade irá parar suas atividades para respirar ensino, pesquisa e extensão”, enfatizou a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Albanise Marinho.

Para outras informações, acesse o site do evento. Em caso de dúvidas, um e-mail pode ser enviado ao endereço semuni@unilab.edu.br.

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