Palestra enfoca a força da mulher africana

Palestra “A força dignificante da mulher africana”, realizada pela Associação dos Estudantes Angolanos da Unilab. Foto: Assecom/Unilab.

A palestra “A força dignificante da mulher africana”, realizada pela Associação dos Estudantes Angolanos da Unilab, ocorreu no último dia da Programação Unificada da Semana da Mulher no Maciço de Baturité, contando com a participação da estudante angolana do curso de Administração Pública Orivanda Brasão; da professora do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA) e cabo-verdiana Rosalina Tavares; do professor do Instituto de Humanidades e Letras (IHL) Vitor Macedo; e do músico e ativista social angolano Murthala Fançony Bravo, mais conhecido como Dog Murras.

Dog Murras saudou a todas as mulheres e lembrou que em 2 de março comemora-se o Dia da Mulher Angolana. O cantor apresentou dados da realidade africana e afirmou que é difícil ser mulher em qualquer país subdesenvolvido, como Brasil e México, mas o caso das africanas requer ainda mais cuidado. “É o pior continente do mundo para ser mulher, pior continente para se ter um filho e o pior continente para ser jovem”, disse, enfatizando que as mulheres africanas costumam ter muitos filhos, ainda num contexto de poligamia, o que as sobrecarregaria mais. “Meu pai teve cinco mulheres, 13 filhos ao todo, criados pela minha mãe, que era a mulher casada”, conta. Segundo Dog Murras, 1 em cada 3 africanas é vítima de violência doméstica.

Cantor angolano Dog Murras dá exemplos da força da mulher africana. Foto: Assecom/Unilab.

Como símbolo da força das mulheres africanas, o cantor citou ainda a rainha Nzinga Mbandi, do século XIV, e as “zungueiras”, vendedoras ambulantes das ruas de Angola que costumam sustentar a casa praticamente sozinha, ainda submetidas a violência doméstica.

Rosalina Tavares parabenizou a iniciativa dos estudantes na promoção do evento e considerou que momentos assim deveriam ser mais recorrentes, pois têm caráter pedagógico. “A luta é de todas e todos, estamos amarrados a uma estrutura que aprisiona. Precisamos trazer os homens para o nosso lado e juntos procurarmos o caminho”, afirmou.

O professor Vitor Macedo questionou como os homens podem contribuir para desconstruir a educação machista. “Cabe a nós, homens, reformar nossa visão de mundo sobre as mulheres, de modo que a gente não pense que mulheres e homens nascem com objetivos diferentes. Vamos abrir mão do machismo para ter menos violência e mais amor e igualdade”, frisou.

Confira o que ocorreu nos outros dias da Programação Unificada da Semana da Mulher no Maciço de Baturité.

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