Egressos do curso de Sociologia ingressam em programas de pós-graduação

Professores e estudantes do curso de Sociologia durante primeira colação de grau, em janeiro de 2018.

O curso de Licenciatura em Sociologia da Unilab começou as atividades letivas em 2014 e teve os primeiros formandos/as em janeiro deste ano. Estudantes de Angola, Brasil, Cabo Verde e Guiné-Bissau agora ganham o mundo continuando as pesquisas iniciadas na Unilab, em diversas instituições, como a própria Unilab, Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal da Bahia (Ufba), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade de Lisboa (ULisboa), em programas de Ciências Sociais, Sociologia, Educação, Políticas Públicas, Psicologia, Saúde Pública, Relações Internacionais, Humanidades e Integração da América Latina.

Maria de Fátima Souza da Silveira é a primeira estudante egressa da Unilab – do Bacharelado em Humanidades (BHU), tendo cursado o primeiro ano do curso de Sociologia – a cursar Doutorado, estando no Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade de São Paulo (USP).

Natural da região serrana de Redenção/CE, Fátima pontua questões que considera centrais para a sua formação: a existência de uma universidade pública e gratuita no interior do estado; a política de assistência estudantil – ela conta que recebeu auxílios e morou no centro de Redenção, dividindo apartamento com colegas – e o contato com a pesquisa científica ao longo de toda a graduação, via bolsas de Iniciação Científica da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “Estes projetos me ajudaram a desenvolver-me academicamente e despertaram meu interesse para alguns temas centrais no projeto Unilab, tais como:  a questão étnico racial, que atualmente pesquiso no cenário latino-americano”, conta.

Fátima Silveira é egressa da Unilab e atualmente desenvolve pesquisa de Doutorado na Universidade de São Paulo. Foto: acervo pessoal.

Atualmente, Fátima trabalha com sociologia comparada na América Latina, desenvolvendo pesquisa sobre o pensamento social latino-americano e estudos descoloniais, discutindo temas como colonialismo e raça na obra de autores latino-americanos. “Meu interesse pela produção de conhecimento no Sul global se deve à influência recebida ao longo da minha formação, devido a que, diferente de outras universidades clássicas, na Unilab estudamos autoras e autores das diversas partes do mundo, o que nos amplia a visão e o que me deu um diferencial com relação aos meus colegas daqui”, destaca, salientando que a Unilab a proporcionou uma formação de qualidade com o diferencial de um olhar descolonizado e crítico.

“Isso porque a Unilab possui um currículo e um formato (e aqui me refiro ao curso de Humanidades e às áreas correlatas) que procura ser descolonizado e plural, o que nos permite conhecer outras histórias, questionar o modelo eurocêntrico, reivindicar nossas próprias abordagens. Isso tudo despertou meu interesse por conhecimentos subalternos. Sem a Unilab dificilmente as questões por mim abordadas teriam a perspectiva que têm hoje”, conclui.

Guineense Felizberto Mango durante primeira colação de grau do curso de Sociologia da Unilab, em janeiro deste ano. Foto: acervo pessoal.

O guineense Felizberto Mango hoje cursa Mestrado em Políticas Públicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), para o qual foi aprovado em segundo lugar. Antes, fez faculdade de Letras Língua Inglesa na Escola de Formação dos Professores (Tchico Té), na capital de seu país, Bissau. Em seguida, começou a estudar Relações Internacionais e Ciências Políticas, quando surgiu a oportunidade de vir para a Unilab, onde cursou o Bacharelado em Humanidades e, depois, o curso de Sociologia.

Estudantes no I Seminário Público de Apresentação do TCC no Curso de Sociologia, em dezembro de 2017.

“Eu era aquele aluno que participava de quase todos os debates na Universidade, participava intensamente nas atividades de cunho político, ligado à vida associativa da minha comunidade (Guiné-Bissau), assim como dos debates que tocam à vida universitária. Fui bolsista de quase todas bolsas as na Unilab: monitor de extensão (English Club), monitor da disciplina de Inglês, bolsista de iniciação científica, do Programa Idioma sem Fronteiras e do programa Pulsar Sociologia”, enumera.

No mestrado, Felizberto pesquisa Transparência e Accountability na Gestão `Pública de Guiné-Bissau, tomando como foco a capacidade das instituições estatais no controle dos recursos públicos. Na Unilab, pesquisou sobre o Ensino da Sociologia na Educação Básica e também sobre a gestão pública. O guineense ainda é estudante da Unilab, pois cursa especialização em Gestão Pública latu senso a distância. “Políticas públicas é uma área multidisciplinar que engloba as disciplinas das áreas humanas (Ciência Política, Sociologia e Antropologia), o que é parecido com o formato do meu curso na Unilab e nos permite ter visões diferentes dos assuntos que fazem parte das nossas agendas de pesquisa”, resume.

De menina de cinco anos no norte da Guiné-Bissau, que chorava para ir à escola, Aminata Mendes cruzou o Atlântico para cursar Sociologia na Unilab e hoje faz mestrado em Saúde Pública na UFC, tendo sido aprovada em segundo lugar nacional na seleção do PEC-PG.

“Eu considero que a Unilab teve grande papel nesta conquista, porque tudo que eu consegui hoje foi graças aos idealizadores do projeto da Unilab e internacionalização, qualidade dos profissionais da universidade, principalmente os professores/as da Sociologia, sem ajuda ou colaboração do corpo docente acho que não seria possível chegar onde eu cheguei. Sou grata por tudo”, afirma.

Aminata Mendes cruzou o Atlântico para cursar Sociologia na Unilab e hoje faz mestrado em Saúde Pública na UFC. Foto: acervo pessoal.

Aminata participou de diversos projetos de extensão e pesquisa, realizou trabalho de conclusão de curso (TCC) sobre violência obstétrica na Guiné-Bissau e agora se debruça sobre a mortalidade materna, em sua pesquisa de mestrado.

“O que eu posso dizer aos meus colegas do curso de Sociologia ainda em formação na Unilab é que não desistam nunca dos seus sonhos, coloquem sempre nas suas mentes que vocês sabem e vão vencer as barreiras e as dificuldades, principalmente os internacionais, pois as nossas famílias e países estão à nossa espera”, finaliza.

Mais estudantes de pós-graduação egressos da Sociologia

A coordenação do curso de Sociologia da Unilab contabiliza 13 egressos em programas de pós-graduação atualmente. Eles estão na própria Unilab, na UFC, UFRN, Ufba, USP, UFRGS e ULisboa.

“Essas conquistas estimulam os demais discentes e demandam ações inovadoras do curso e da Unilab, visando qualificar os processos educacionais, ampliar a produção científica, técnica, didática e artística no curso e potencializar a inserção acadêmica, social e profissional dos egressos”, disse o coordenador do curso, Eduardo Machado.

Machado utilizou ainda o exemplo do Programa de Estudantes-Convênio de Pós-Graduação (PEC-PG), do CNPq: em 2017, o PEC-PG selecionou nacionalmente vinte estudantes para cursarem Mestrado. Destes, cinco eram da Unilab – três da Sociologia, um da Pedagogia e um da Antropologia.

Perfil do curso e licenciado

O licenciado em Sociologia está capacitado para a prática do planejamento, pesquisa, gestão e docência na educação básica e superior. Também pode desempenhar atividades de assessoria, consultoria, planejamento, gestão, pesquisa e educação em outras instituições públicas e privadas, inclusos órgãos públicos, entidades populares e movimentos sociais, particularmente no Brasil e nos demais países da comunidade dos países da língua portuguesa.

O curso de Sociologia se estrutura em áreas curriculares integradas, envolvendo várias disciplinas, com enfoque nas questões que compõem os princípios da Unilab: didática, política educacional, sociologia da educação, filosofia da educação, prática do ensino em sociologia, movimentos sociais e educação, libras, psicologia da educação e estágio supervisionado; estudos africanos e sociologia africana; teoria sociológica e metodologia da pesquisa em sociologia; sociologia da cultura e das práticas culturais, sociologia política, geopolítica do poder, sociologia do desenvolvimento e pensamento social brasileiro.

Os discentes de Sociologia também cursaram previamente o Bacharelado em Humanidades (BHU) da Unilab – como parte do primeiro ciclo de sua formação, onde tiveram acesso a componentes curriculares que abrangem fundamentos epistemológicos, teóricos e metodológicos nas ciências sociais e humanidades; teoria e metodologia da pesquisa; filosofia, arte e cultura; identidade, território e poder.

O primeiro e segundo ciclos estão articulados: o primeiro ano do segundo ciclo (também chamadas terminalidades) é cursado ainda no primeiro ciclo. “O caráter interdisciplinar do BHU já permite aos estudantes chegarem ao segundo ciclo com uma maturidade acadêmica muito importante. Como os discentes já saem com o diploma do BHU, podem fazer processos seletivos para mestrados e alguns cursam concomitantemente a licenciatura em Sociologia e um mestrado ou especialização”, explica Eduardo Machado.

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