“Educação antirracismo: diálogos Brasil-África” é o tema da I Semana de Pedagogia do Campus dos Malês

Sob o canto do “Coral sem Fronteiras”, composto por estudantes e moradoras da comunidade local, foi realizada a abertura da I Semana de Pedagogia do Campus dos Malês, em São Francisco do Conde/BA. O evento aconteceu de 16 a 20 de abril.

O som do berimbau ecoou aos quatro cantos do auditório e foi com ele que a mesa de abertura foi composta. Além da presença da direção do Campus, coordenação do curso de Pedagogia, coordenação do evento e representação discente do curso de Pedagogia, estiveram presentes o Secretário de Educação de São Francisco do Conde, Marivaldo do Amaral, o diretor da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia, Lázaro Cunha e, representando a direção do Instituto de Humanidades e Letras, a professora Geranilde Costa e Silva.

Professora Nilma Lino Gomes

Sob o clima de emoção e energia, em meio às palavras da poetisa Rejane de Sousa, um público de mais de 200 pessoas recebeu a convidada de honra, a professora Nilma Lino Gomes, que proferiu a conferência de abertura da I Semana de Pedagogia, com o tema “Educação antirracismo: diálogos Brasil-África”. “É importante que a universidade e a Pedagogia estejam atentas aos processos antidemocráticos vivenciados no Brasil e aos seus impactos negativos sobre a educação e os seus sujeitos”, apontou a professora, defendendo também que é na educação que está a possibilidade de emancipação.

“Uma educação que coloca em diálogo o Brasil e a África só pode ser desenvolvida por meio de uma pedagogia antirracista. Uma pedagogia antirracista é aquela que analisa, estuda e propõe alternativas e estratégias para compreender o Brasil sempre considerando a dimensão diaspórica que nos remete ao continente africano. Se outros cursos de Pedagogia no Brasil têm que ir atrás dos sujeitos do continente africano para interagir, a Unilab os tem presentes, não somente no curso de Pedagogia, mas em toda a universidade. E tem a centralidade da África nas suas diretrizes e projeto. É preciso saber aproveitar essa oportunidade única de convívio e troca de experiências”, explica Nilma Lino.

Ao longo da semana do evento, mesas redondas levantaram o tema da transgeneralidade, sexualidades e, ainda, desafios para uma educação antirracismo no Brasil e em países africanos de língua portuguesa. Com a mesma importância ocorreram, com a presença massiva de público, sete oficinas, quatro minicursos e, ainda, contando com pesquisadores internos e externos, a apresentação e discussão de cerca de 40 comunicações orais e relatos de experiências.

Para a comissão organizadora do evento, a I Semana de Pedagogia do Campus dos Malês foi exitosa ao ampliar o diálogo com o poder local e instituições importantes no contexto baiano. Além disso, a atividade teve 361 inscrições, 41 trabalhos apresentados na modalidade de comunicação oral e relato de experiência, inseridos em cinco eixos temáticos, articulados com o tema do evento.

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