Bate-papo com alunos de seis países abre Semana da África na Bahia

Sete histórias, sete personagens e sete modos de representar diversos países no ambiente que é o ponto de encontro entre eles: a Unilab. Guiné Bissau, Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Brasil; juntos em um bate-papo na abertura da Semana da África na Bahia, realizada em paralelo com as atividades do Festival da Cultura, na última sexta-feira (25), no Auditório do Campus dos Malês, em São Francisco do Conde/BA. Na mediação, as professoras Isis Aparecida (Unilab) e Florita Cunhanga (UFBA).

Bate-papo “Falando de Nós – Viajar, Viver e/ou Estar no Brasil e num País da África” | Foto: Assecom

“A Unilab é a minha África possível”, costuma dizer a carioca Fabiana Gelard, estudante da segunda turma da Unilab no Campus dos Malês, que terminou o Bacharelado em Humanidades e segue na terminalidade de Pedagogia. “África possível” porque ela nunca saiu do Brasil, mas experimentou diversas vivências ao deixar trabalho e filha no Rio de Janeiro para mergulhar em um de suas “maiores e melhores experiências”, como ela diz – a integração com estudantes dos vários países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Um desses países é Guiné Bissau, representado no bate-papo pela estudante do segundo semestre de Relações Internacionais, Naentrem Sanca. Em sua fala, ela tocou em um dos temas mais recorrentes, a negritude. “Antes de chegar ao Brasil, eu não achava que ia encontrar tantos negros. Fiquei surpresa, porque a imagem que eu via na TV era um país de brancos. Eu não via os brasileiros negros na televisão”, explicou Naentrem.

“Mas quando cheguei aqui, soube que estava na cidade de maior população negra na Bahia, que é o estado de mais negros no Brasil. Aqui eu ando na rua e consigo ver pessoas iguais a mim. Eu vejo meus irmãos na faculdade e fora dela”, completou Naentrem. Agora, a guineense afirma que seu desafio é mostrar a verdadeira história dos africanos aos brasileiros.

Estudante Iuri Rosário | Foto: Assecom

Iuri Rosário é o outro brasileiro que participou do bate papo, mas ao contrário de Fabiana, já teve a oportunidade de visitar países como Cabo Verde e Guiné Bissau, na época da sua pesquisa de Trabalho de Conclusão de Curso. “Ao voltar, eu tive a chance de reencontrar e estreitar ainda mais os laços com meus colegas do outro continente”, confessou o soteropolitano Iuri, que desde o começo do curso na Unilab decidiu morar com os africanos para aumentar a sua integração.

Estudante Lauro José Cardoso | Foto: Assecom

“Falar de nós não é fácil”, começou o estudante Lauro José, de São Tomé e Príncipe. No Brasil há três anos, ele explica ter passado por várias transformações, dentro e fora das salas de aula. “Para além do lado acadêmico, nossas experiências de vida aqui são riquíssimas”, garantiu o estudante, citando a necessidade de integração também com os moradores da região.

Ainda participaram do bate-papo o aluno Chitungane Sebastião, de Moçambique, a estudante Margarida Bendo, de Angola, e o discente Danilson Ivandro, de Cabo Verde.

Na sequência, a Mesa I: “Uma Agenda Epistemológica e Política Decolonial: Artivismo, direito à cultura e diáspora negra” reuniu os professores da Universidade Católica de Salvador (UCSAL) Nelson Maca e Julie Sarah, além de Rosildo do Rosário, do Ponto de Cultura, de Saubara. A mediação ficou por conta da professora Ana Cláudia Gomes, da Unilab.

Programação suspensa

A Semana da África na Bahia, que teria continuidade nestas segunda, terça e quarta-feira (28, 29 e 30), teve suas atividades suspensas. De acordo com a equipe organizadora, o adiamento “é em solidariedade aos trabalhadores de transporte em greve”.

Normalizada a situação, a organização divulgará um novo calendário.

 

 

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