Estudantes da Unilab assistem a peça moçambicana e participam de roda de conversa com atores

Os atores Klemente Tsamba e Francisco Pellé. Foto: Assecom/Unilab.

Nos dias 5 e 6 de setembro, cerca de 80 estudantes da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) puderam assistir à peça teatral moçambicana “Nos tempos de Gungunhana”, no Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB), em Fortaleza.

A peça tem textos originais de Ungulani Ba Ka Khosa e criação e interpretação do moçambicano Klemente Tsamba, que veio ao Campus da Liberdade conversar com a comunidade acadêmica, junto com o produtor da peça e também ator, o brasileiro Francisco Pellé, do grupo Harém de teatro.

Estudantes da Unilab vão ao Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB), em Fortaleza, assistir à peça “Nos tempos de Gugunhana”. Foto: acervo pessoal.

Klemente, ao saber da Unilab como universidade que se propõe a integrar os países lusófonos, entrou em contato com o produtor cultural da instituição, Luciano Morais, e estabeleceu uma ponte para levar os estudantes a Fortaleza.

Em uma roda de conversa descontraída com estudantes no Campus da Liberdade, em Redenção/CE, os artistas destacam o papel que o teatro tem na integração via Língua Portuguesa.

Pellé é o realizador do Festival de Teatro Lusófono (FestLuso), em Teresina/PI, e comenta que, na criação do evento, em 2008, as pessoas não sabiam o que era lusofonia. “Era uma palavra muito nova há dez anos. Então criamos o FestLuso, que ocorre em Teresina com o mote da integração pela Língua Portuguesa, recebendo artistas de outros países lusófonos. É uma rede de integração de Língua Portuguesa através do teatro, uma rede de formação na área artística e técnica”, conta, acrescentando que o festival pode ir a outras cidades, como fez este ano, sendo realizado em São Luís/MA.

Outro ponto levantado por Pellé é que o evento pretende se aproximar da academia. “Estudantes da Unilab trazem uma bagagem artístico-cultural muito importante para a integração, muitos são filhos de músicos, atores, artistas populares”, salientou.

Roda de conversa realizada no auditório didático do Campus da Liberdade, em Redenção/CE.

Já Klement Tzamba contou um pouco da sua trajetória como artista, desde o começo, com o teatro comunitário em Moçambique, em um projeto da área da saúde, passando por cursos de formação até ir para a Companhia de Teatro de Portugal. “Lá desenvolvemos o projeto Xistórias, com contos tradicionais do Norte de Moçambique e do Alentejo, região no Sul de Portugal”.

A peça agora apresentada, “Nos tempos de Gugunhana” fala de uma história de Moçambique que não está nos livros tradicionais de História. “Gugunhana lutou contra a penetração portuguesa na África, sendo capturado e levado para os Açores, onde morreu. Suas ossadas foram levadas para Moçambique 70 anos depois. E mais histórias que vêm da tradição oral são apresentadas durante a peça, onde Gugunhana é só mais uma pessoa comum”, explica.

Da esquerda para a direita: os atores moçambicanos Klement Tsamba e Sílvia Mendes; o produtor cultural da Unilab, Luciano Morais; e o ator brasileiro Francisco Pellé. Foto: acervo pessoal.

Produtor Cultural da Unilab, Luciano Morais destaca o papel da universidade como articuladora das linguagens artísticas. “Como produtor cultural, vejo que a Unilab tem muito a contribuir na articulação de uma rede transnacional lusófona em artes, nas mais variadas linguagens. Além do protagonismo dos nossos alunos nas artes, especialmente dança e música, temos grupos artísticos formados em projetos de extensão que interagem nos territórios de atuação da universidade e que podem potencializar suas reverberações no espaço Lusófono”, afirmou. Um exemplo profícuo seria o Festival das Culturas da Unilab, que já teve três edições.

A atriz moçambicana Silvia Helena Mendes está na Unilab ministrando oficina de teatro através de projeto de extensão, até o próximo dia 11, e também participou do diálogo sobre lusofonia, integração e arte.

Após as apresentações em Fortaleza, a peça “Nos tempos de Gugunhana” segue para Iguatu, Icó e Juazeiro do Norte, no Ceará, e depois Teresina.

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