“Ciência para redução de desigualdade” é tema da mesa de abertura da V Semana Universitária

Os campi da Unilab no Ceará e na Bahia foram palco, na manhã desta terça-feira (16), da abertura da V Semana Universitária da Unilab. Nesta edição, o evento trouxe como tema “Ciência para a Redução das Desigualdades”, evidenciando uma discussão sobre a importância do desenvolvimento científico do país e seus impactos nos âmbitos social, cultural, político e econômico, tanto no Brasil como nos parceiros membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A ideia é também a de ressaltar a Semana Universitária como um espaço de reafirmação do compromisso da Unilab com a produção do conhecimento, respeitando as diversidades de saberes, culturas e experiências.

Na Bahia

No Campus dos Malês, em São Francisco do Conde/BA, o evento contou com uma Mesa de Abertura cujo tema seguiu o oficial da Semana. Estiveram presentes a professora Rejane Lira, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e a socióloga e agente do Conselho Pastoral de Pescadores de São Francisco do Conde, Maria da Conceição Pereira.

Rejane Lira, professora da UFBA

Desde 2001 trabalhando com ciência cidadã, a professora Rejane Lira compartilhou parte de suas pesquisas e desafios enquanto docente. Movida pela trajetória interdisciplinar, Rejane é bióloga e desenvolve um trabalho de rede colaborativa entre universidade e escola, que inclui vídeos, jornais e livros trabalhados na comunidade quilombola de São Francisco do Paraguaçu.

Plateia no Auditório do Campus dos Malês

“Em 2007, nós criamos um componente curricular chamado ACCS, que é a Atividade Curricular em Comunidade e Sociedade, proposta única que começou na UFBA”. De acordo com ela, “trata-se da curricularização da extensão. Muita gente pergunta: como é que a gente faz extensão? A extensão universitária é um movimento mundial que significa estar presente não apenas para aquelas pessoas que estão dentro da universidade”.

Rejane reforça que é possível estar e fazer parte da universidade sem necessariamente estar matriculado em algum curso. “O nosso compromisso é que a universidade saia do lugar dela e leve as pessoas a participarem da universidade, através de seus projetos de extensão, seja por meio de cursos, oficinas e projetos”.

Participante de movimentos sociais, dentre eles o Conselho Pastoral dos Pescadores, a socióloga Maria da Conceição discutiu o papel da ciência na tentativa de redução de desigualdades, a serviço da desconstrução das desigualdades.

Socióloga Maria da Conceição, participante de movimentos sociais

“Quem são as pessoas que sofrem mais diretamente e mais profundamente com os desmandos das poluições? São as pessoas negras, os grupos indígenas. Isso é racismo ambiental”, denuncia Maria da Conceição. “E a gente não pode achar que isso é normal. É uma outra forma de estarmos contribuindo com a manutenção das desigualdades. Não é normal, é cruel e pode ser transformado”, completou a socióloga.

A programação no Campus dos Malês seguiu com a apresentação do Grupo de Dança Deboche, do município de Terra Nova/BA, além de apresentação de trabalhos, palestras, rodas de conversas e outras atividades.

Grupo de Dança Deboche apresentou vários ritmos musicais

No Ceará

Durante toda a manhã, estudantes, professores e servidores lotaram o auditório do Campus das Auroras, em Redenção/CE, para acompanhar a cerimônia de abertura, que teve início com a apresentação da Camerata da Universidade Federal do Ceará (UFC), unindo diferentes instrumentos de cordas. Foi executado um repertório eclético, entoando melodias que foram da música clássica europeia ao canto popular brasileiro, passando ainda por temas de filmes contemporâneos e jogos eletrônicos.

Camerata da UFC

Estiveram presentes à mesa o Reitor da Unilab, professor Alexandre Cunha Costa, a Vice-Reitoria, professora Andrea Gomes Linard, além dos Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação, professora Albanise Barbosa, de Graduação, professor Edson Holanda, e de Extensão, Arte e Cultura, professora Rafaella Moreira.

Os pró-reitores lembraram o momento difícil em que o país se encontra, ressaltando a necessidade de compromisso e defesa da Unilab. A Semana Universitária é “mais um momento de consolidar a instituição”, afirmou a Vice-Reitora, bem como um momento que deve servir de “reflexão, na medida em que o conhecimento adquire compromisso com a transformação da sociedade”, acrescentou Edson Holanda.

Reitor Alexandre Cunha, em seu pronunciamento de abertura

Em seu pronunciamento, o Reitor Alexandre Cunha Costa parabenizou o empenho de todos que tiveram parte na construção do evento, e informou que a Semana Universitária reúne, em 2018, cerca de 800 trabalhos aprovados, um número expressivo em comparativo com outras instituições.

Por fim, o Reitor elogiou a escolha do tema, ressaltando o papel da Unilab no esforço para a redução das desigualdades na região, e na parceria solidária para a cooperação sul-sul entre o Brasil e os países parceiros. “As dificuldades são enormes, mas a Unilab mostra que é possível”, concluiu.

Luciana Inácia Gomes, Analista em Ciência e Tecnologia do CNPq

A cerimônia foi finalizada com a palestra da professora Luciana Inácia Gomes, que desde 2012 atua como Analista em Ciência e Tecnologia do CNPq. Luciana elaborou um histórico da expansão dos programas de iniciação científica, e explanou sobre seus objetivos e sua importância para o crescimento da ciência no Brasil e para a redução das desigualdades.

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