Palestras marcam o encerramento da V Semana Universitária da Unilab

Na última sexta-feira (19), chegou ao fim a V Semana Universitária da Unilab. O evento teve suas cerimônias de encerramento na Bahia e no Ceará.

Na Bahia

Foto: Assecom

Pela manhã, os trabalhos tiveram início no Campus dos Malês, em São Francisco do Conde/BA. Uma mesa reuniu trajetórias acadêmicas e de vida de diferentes origens, mas tendo a superação como ponto de encontro.

Sob a mediação do servidor Paulo Fernando Carneiro, compuseram a mesa os discentes da Unilab Vanise Sousa dos Santos e Emanuel de Jesus Correia, além do médico quilombola João Santos Costa.

Da esq. para dir., Paulo Carneiro, Vanise Sousa, Emanuel de Jesus e João Costa | Foto: Assecom

Aluna do sexto semestre de Licenciatura em Letras, Vanise Sousa fez Pedagogia em uma faculdade particular e já atua na Secretaria de Educação de São Francisco do Conde, mas revelou que seu sonho era cursar uma universidade federal. “A Unilab pra mim representa o cuidar. Aqui eu me sinto digna de ser mulher e de ser negra”, afirmou.

Cabo verdiano, Emanuel de Jesus cursa o Bacharelado em Relações Internacionais. Em seu discurso, fez uma retrospectiva de sua chegada no Brasil e, junto com ela, os estranhamentos, dificuldades e desafios.

Emanuel de Jesus, aluno de Relações Internacionais | Foto: Alan Argôlo

“Aqui temos o intercâmbio cultural e acadêmico. Temos acesso à estrutura educacional brasileira, que é conhecida junto a Cabo Verde”, frisou o aluno. Quanto aos desafios, estes vão de fora a dentro de sala de aula. Para ele, estar na Unilab é fazer parte da criação de um currículo que, “ao mesmo tempo em que é diferenciado, é desafiador”.

João Costa, médico quilombola | Foto: Assecom

“Só a educação liberta”. Foi com esta frase que João Santos Costa iniciou sua palestra. Aos 24 anos, o médico formado pela Universidade Federal de Sergipe, há pouco mais de um mês, ilustrou o tema da V Semana Universitária, compartilhando sua história de vida com a plateia.

Natural do povoado Sítio Alto, comunidade de Simão Dias, declarada oficialmente como quilombola, João Costa destacou a importância do processo de interiorização das universidades, por ser fruto dela. Ele foi aluno da primeira turma de Medicina do Campus de Lagarto, no interior de Sergipe.

João Costa, médico quilombola | Foto: Alan Argôlo

Filho do meio de 11 irmãos e de pais lavradores, o médico sempre estudou em escola pública e encontrou nos estudos a possibilidade de libertação. Para ele, a educação “liberta em termos financeiros, intelectual e social”. Oriundo de uma comunidade composta majoritariamente por descentes de escravos, historicamente pobre, economia predominantemente agrícola e rica culturalmente, João Costa contou com o auxílio de bolsas estudantis para se manter na universidade.

Atualmente, ele é médico em uma unidade de Programa Saúde da Família (PSF) e pretende trabalhar em seu povoado. Além disso, João Costa quer fazer especialização e estuda algumas propostas de emprego. Para ele, que também é desenhista e fotógrafo amador, “não basta apenas educar, é preciso edificar pessoas”.

Foto: Assecom

No Ceará, a Semana Universitária teve seu encerramento com a palestra “Por uma Ciência e Tecnologia a Serviço da Justiça Social”. A atividade foi apresentada pelo professor Epitácio Macário, doutor em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Foto: Propae/Unilab

Quem controla a produção científica e tecnológica? Qual o benefício da ciência e da tecnologia? Esse benefício pode ser generalizado para todos? Estas foram algumas das questões que conduziram a fala do professor Epitácio.

Em outro momento, o palestrante abordou a situação do ensino superior e a Ciência e Tecnologia. De acordo com os dados apontados, 75% das matrículas em cursos de graduação estão no ensino privado. Entre outras constatações, essa realidade conduz à necessidade da luta por uma ciência e tecnologia voltada para a justiça social.

Foto: Propae/Unilab

Entre os desafios apontados pelo palestrante, estão: o fortalecimento da nação; a defesa das instituições públicas (universidades e institutos federais, expansão do ensino universitário público e a garantia da política de cotas); e recomposição dos orçamentos.

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