Escritora Madu Costa enfoca oralidade e o poder da palavra em palestra na Unilab

A escritora mineira Madu Costa proferiu palestra na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), com o título “Com que roupa eu vou?”, sobre oralidade e o poder da palavra.

Madu Costa tem 15 obras publicadas e estreou no cenário da literatura com o livro A Janta da Anta, em 2000. A educadora e pedagoga é reconhecida pelo importante trabalho tratando da afro-brasilidade e visando a afirmação racial com foco especialmente no público infanto-juvenil.

“Com que roupa eu vou?” é o ponto de partida da reflexão de Madu acerca do poder da palavra. “A oralidade, o tratamento da palavra com o outro, têm um poder que não sabemos mensurar. A palavra constrói o compartilhamento ou a tirania… faz com que a gente escolha com que roupa vai se apresentar ao mundo. Com que disposição? Em qual África me inspiro? Qual discurso, palavras, olhares? Essa é a roupa de que eu falo”, explicita.

A pedagoga aponta para a tradição oral na África, continente em que as palavras seriam guardiãs da memória, e chama a atenção para a dominação por meio da língua. “Nós falamos a língua do opressor. A língua portuguesa foi tão forte que suprimiu a língua tradicionalmente falada. O primeiro poder de dominação utilizado pelo colonizador foi o de tirar a língua”, afirma.

Madu ressalta ainda o fato de que, se a palavra é poder, torna-se algo em disputa. “Todo mundo quer o poder e haverá tensão/disputa. Poder tensiona, cada um quer puxar pro seu lado”, disse, sublinhando os vários discursos em disputa em todo contexto político-social.

Por fim, a professora destacou a importância da palavra nas relações sociais. “A pessoa que não lê, não tem nada para falar. Desde os primórdios, quem domina a palavra, quem faz links, será mais forte. Alguém está falando sobre um assunto que o outro já ouviu, aí a anteninha tá aqui. Pega a palavra e fala assim ‘Como Denise falou, eu gostaria de dizer…’. A pessoa falou a partir da fala do outro, está conectada, tem uma bagagem, uma carta na manga para tirar na hora de fechar aquele jogo”, disse.

O evento foi organizado pelos grupos “Vozes D’África” e “Sobre o Corpo Feminino – Literaturas Africanas e Afro-brasileiras”, da Unilab.

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