Equipe do Curso de Ciências Biológicas da Unilab participa de expedição científica na região da Chapada do Araripe/CE

Objetivando mostrar aos alunos os processos evolutivos que moldaram a diversidade de espécies existentes no planeta e a mudança na paisagem, através do estudo dos fósseis na região de Santana do Cariri, Crato, Barbalha, bem como em toda extensão da Chapada do Araripe, docentes e estudantes do Curso de Ciências Biológicas, do Instituto de Ciências Exatas e da Natureza (Icen/Unilab), participaram, no último final de semana, da uma exposição científica e exploratória, ao sul do Ceará, no Distrito de Inhumas, município de Santana do Cariri/CE.

A atividade realizada na região da Chapada do Araripe faz parte da disciplina de Geologia e Paleontologia e também da disciplina de Ecologia de Organismos e Populações, ministrada pelo professor do Icen, Jober Sobczak, com participação dos professores Paulo Henrique Gomes de Oliveria Souza (doutorado em Oceanografia) e da professora Jullyana Sobczak (doutora em Biologia Vegetal).

Segundo os coordenadores da expedição, a região abriga um dos maiores e mais importantes sítios fossilíferos do Mundo, reconhecido mundialmente pela qualidade de preservação dos fósseis lá encontrados, principalmente os da formação Santana.

O trabalho se estendeu ao longo de quatro dias. A hospedagem da equipe se deu na Casa de Pedra, administrada pelo Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a Prefeitura Municipal de Santana do Cariri.

De acordo com o planejamento da equipe, a primeira atividade do grupo consistiu em fazer uma trilha na Flora da Chapada do Araripe. Essa Unidade de Conservação foi a primeira deste tipo no Brasil e foi criada em 1946 para conservar uma área importante de mata atlântica e Cerrado no interior do estado.

Em seguida os alunos tiveram a oportunidade de conhecer a sede do Geopark (Parque Geológico do Araripe) e o laboratório de Paleontologia, localizado no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens da Universidade Regional do Cariri (URCA), coordenado pelo prof. Dr. Alamo Feitosa, um os mais importantes paleontólogos do país, e que estuda os fósseis da Chapada do Araripe a mais de 30 anos.

Outra atividade que levou a equipe visitar o sítio de missão velha, com 420 milhões de anos datado do período Siluriano da era Paleozóica, onde se observa icnofósseis, que neste caso são vestígios de uma fauna de invertebrados aquáticos. A Floresta Petrificada também fez parte do trajeto de exploração, já que é composta por fósseis de uma espécie de pinheiro datada do período Jurássico da era Mesozoica, com 140 milhões de anos.

O Parque dos Pterosauros, pertencente a formação Santana, agora já no período Cretáceo com 110 milhões de anos aguçou o interesse dos estudantes envolvidos com a vivência, onde observaram uma escavação controlada promovida pela URCA nesse local e, viram in loco, como ocorre o processo de retirada de um fóssil, o estado de conservação e a obtenção de dados referentes aos processos de fossilização bem como o palioclima da região naquela época.

Parque dos Pterosauros

Deste sitio já se extraiu os mais bem preservados fósseis de Pterossauros e Peixes que se tem notícia no mundo. Depois o grupo visitou o Museu de Paelontologia de Santana do Cariri, onde observaram a exposição de vários exemplares de fósseis, entre eles vários fosseis de Plantas, Insetos, Pterosauro, Dinosauros, Tartarugas, penas, dentes etc.

A expedição se estendeu a uma pedreira de extração da pedra cariri e também realizaram a coleta de mais de 200 exemplares de fósseis deste local. A pedra cariri faz parte da formação Santana, membro Crato que teve origem em um fundo de lago, com mais de 110 milhões de anos. E nesse local que se encontra exemplares bem preservados de plantas, insetos, aranhas, bem como o comportamento e interações destes animais.

Desta região foi doado para a Unilab um exemplar de fóssil onde um besouro está polinizando uma flor, um evento extremamente raro de se ter nos registros fósseis.

Pesquisas na Pedra Cariri.

Todo o material coletado, será processado, analisado, receberá um número de tombo e fará parte do acervo de fósseis do laboratório de Ecologia e Evolução da Unilab, que já somam mais de 210 exemplares.

Segundo o professor do Icen, Jober Sobczak “esse acervo é de extrema importância, pois alguns exemplares são utilizados em projetos de extensão envolvendo divulgação de ciências através dos fósseis, para conscientizar alunos e professores da região do Maciço de Baturité, sobre a importância dos registos fósseis para a compreensão da história da vida na terra”, esclareceu.

Por fim, foi estabelecida uma importante parceria em projetos de pesquisa, entre o laboratório de Ecologia e Evolução da Unilab, vinculado ao Icen, e o Laboratório de Paleontologia da URCA. A parceria possibilitará que estudantes e professores da Unilab façam estudos em um dos mais importantes sítios fossilíferos do mundo, e assim, contribuam para desvendar como era a vida no passado da terra, os processos evolutivos e as mudanças climáticas que ocorreram.

Sobre a Casa de Pedra

Instituída como um centro de referência com um programa educacional para que alunos da universidade tenham contato com atividades de pesquisa in loco. A estrutura foi toda construída com pedras de rejeito da atividade extrativa das próprias rochas sedimentares carbonáticas (Pedra Cariri) e com mão de obra da região, possui cerca de 1.000 metros quadrados de área, com 13 apartamentos com banheiros, cada um podendo hospedar, em média, cinco pessoas. Há um espaço em comum para reuniões e um redário.


A Casa de Pedra foi construída com resíduos das pedreiras de calcário do município de Santana do Cariri (Foto: Divulgação)

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