Unilab recebe visita técnica do Ministério das Relações Exteriores

A Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) recebeu, nos dias 24 e 25, visita técnica da Divisão de Assuntos Educacionais do Ministério das Relações Exteriores (DCE/MRE).

Em um primeiro momento, ocorreu reunião para apresentação institucional entre os representantes da universidade – a vice-reitora, Andrea Linard, e o pró-reitor de Relações Institucionais, Max de Araújo – e os integrantes da comissão da DCE/MRE: Beatriz Goes, Primeira-Secretária/Conselheira/Chefe da Divisão de Temas Educacionais e Língua Portuguesa/MRE, e Francisco Souza, Primeiro-Secretário/MRE .

Uma segunda reunião tratou da apresentação do Processo Seletivo de Estudantes Estrangeiros (PSEE), com a presença da vice-reitora da Unilab e pró-reitor de Relações Institucionais, além dos pró-reitores de Graduação e Pesquisa e Pós-Graduação e coordenações de Seleção, Acolhimento e Acompanhamento; Ensino de Graduação e Seleção; e Pós-Graduação.

Já no dia 25, seguiu-se uma visitação aos campi da Unilab, onde foram apresentados projetos como a usina de eficiência energética em Auroras, e demais instalações da universidade no Ceará.

No período da tarde, os representantes do MRE estiveram com a Diretora do Instituto de Linguagens e Literatura, Claudia Ramos Carioca e a Presidente da Comissão de Redação do PSEE, Léia Cruz Menezes, além da vice-reitora e o Pró-reitor de Relações Institucionais, para uma discussão sobre aspectos específicos da Língua Portuguesa com a representação do MRE.

A agenda da comitiva do MRE incluiu ainda visitas à Universidade Federal do Ceará (UFC) e ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). E ainda estão programadas para este ano visitações a outras instituições do país.

Palestra sobre cooperação internacional e operações de paz

O primeiro-secretário da DCE/MRE ministrou palestra na terça-feira (25) sobre o tema de sua pesquisa de mestrado, “Estado, saúde e a cooperação internacional durante operações de paz”.

No estudo, Francisco Souza analisa 16 relatórios das operações de paz no Timor-Leste e no Haiti e observa como as relações de cooperação internacional e como a saúde foi abordada, mais especificamente.

Sobre o Timor-Leste, país que compõe a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Francisco aponta uma forte intervenção da Organização das Nações Unidas na organização do Estado nascente. “Depois a ONU teve mais um papel de apoio e, em 2006, com uma grande crise, o governo pediu para que a organização aumentasse o contingente policial no país”, comenta. Os timorenses pensavam, para a saúde, em um modelo de equidade e acesso a direitos, porém, o modelo da ONU ficou mais próximo à prestação de serviços em saúde e assistência aos mais pobres. Souza citou ainda que a ONU teve poder de arrecadação de fundos e, com isso, conseguiu influenciar mais os governos.

 “O foco da pesquisa está nos atores de fora e no que eles influenciam o governo a fazer”, afirmou, acrescentando que a cooperação internacional é útil, porém, “o Estado precisa coordenar os esforços vindos de fora”.

No Haiti, a situação envolve muitas organizações não governamentais (ONGs) e o Estado não tem o monopólio da polícia e exército, o que possivelmente levou a mais violência e ressentimento da população com a presença internacional.

“A mortalidade infantil se reduz com saneamento básico e a questão ambiental no Haiti é bastante complicada. Mas o país não é um caso perdido”, sublinha.

Agora, o pesquisador prepara sua tese de doutorado. Continua com o tema da cooperação, mas sem estudar países em específico. “Tem um lado técnico, mas está revestida de influências da política”, adianta.

Questionado sobre o conceito de cooperação Sul-Sul, relevante para a Unilab, Francisco Souza considerou que abrange um benefício mútuo, diferenciando-se da caridade que norteava as relações Norte-Sul. “A ideia de cooperação com contrapartida estabelece uma troca, autonomia. É uma forma de não submeter o outro à minha realidade, partindo da ideia de que eu reconheço o outro.

A cooperação Sul-Sul se baseia na demanda dos países e essa lógica pressupõe que você continuamente reforça a permuta de demandas”, disse.

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