III Encontro Internacional de Mulheres Afro-latino-americanas e Caribenhas fomenta e divulga produção de saberes por mulheres negras

Fomentar e divulgar os saberes produzidos por mulheres negras que atuam nos mais diversos campos do conhecimento, além de promover diálogo entre os diversos segmentos da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab) e a comunidade externa, tanto do Maciço de Baturité quanto de outros territórios, nacionais e internacionais: é com esse objetivo e compromisso que chega à terceira edição o evento As Pretas na Unilab – Encontro Internacional de Mulheres Afro-latino-americanas e Caribenhas.

O evento ocorre em Redenção/CE, nos dias 24 e 25 de julho, sendo este o DiaInternacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha e também o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

Durante dois dias, o III As Pretas na Unilab congrega escritoras, pesquisadoras, docentes da Unilab e de outras universidades, estudantes, artistas e ativistas de coletivos feministas. Para a professora Luana Antunes, o evento reforça o “compromisso da universidade pública com o crescimento econômico, político e social da população brasileira e das demais que participam das rotas da diáspora africana”.  

“Ao destacar o protagonismo de mulheres negras nos campos científicos e em outras esferas de manutenção da vida de suas comunidades, o encontro reaviva tanto a memória de Tereza de Benguela, liderança quilombola que, de 1750 a 1770, governou o Quilombo do Quariterê, localizado no Mato Grosso, quanto a memória coletiva, de produção de conhecimento, valores civilizacionais e de resistência da população afro-brasileira contra as desigualdades sociais e econômicas que lhe atinge historicamente”, sublinhou Luana Antunes.

No primeiro dia de atividades, haverá a mesa de abertura, com o título “O mundo de Taió: femininos negros, empoderamento infantil e educação étnico-racial pela literatura”, seguida da apresentação artística “É mais que fazer barulho” e a mesa-redonda “Intelectuais negras: escrevivências”.

Já no dia 25, a manhã começa com o grupo de trabalho “A gente combinamos de não morrer” – Encontro de organizações civis, grupos de pesquisa/estudos/artes e coletivos de mulheres negras, agricultoras, indígenas”. Pela tarde, haverá a apresentação artística vídeo-poema, de Fabiana Carneiro (UFSB) e as mesas-redondas “Corpografias negras e ancestralidade africana” e “’Coroações’ – cabelos, identidades e emoções de mulheres negras”. O evento se encerra com ato criativo no monumento Negra Nua, em frente ao Campus da Liberdade, em Redenção/CE, com a performance AmeFricanas e apresentação musical de Tambores de Safo.

Confira a programação completa.

Evento chega à terceira edição e reforça compromisso com as mulheres negras

Abertura da segunda edição do “As Pretas na Unilab”, Dia 25/7, Dia da Mulher Negra.

As Pretas na Unilab – Encontro Internacional de Mulheres Afro-latino-americanas e Caribenhas é organizado pelo grupo de pesquisa e pelo projeto de extensão universitária “Sobre o corpo feminino – Literaturas Africanas e Afro-brasileira” (CNPq/PROEX), coordenados pela professora Luana Antunes, do Instituto de Literaturas e Linguagens (ILL), além de contar com a contribuição de professoras negras e/ou feministas dos diversos institutos da Unilab.

O evento surge pela iniciativa de discentes dos cursos de Letras e do Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades. A primeira edição do Encontro ocorreu em 25 de julho de 2017, contando com a presença massiva de estudantes da Unilab, população do Maciço de Baturité e de Fortaleza.

Em 2018, consolidando a importância dos debates propostos pela agenda do evento, com destaque para apresentação de pesquisas científicas, produções artísticas e testemunhos de vida de mulheres negras, o evento ocorreu nos dias 25 e 26 de julho. Essa ampliação da duração do encontro também proporcionou uma maior participação das comunidades do Maciço de Baturité, da comunidade acadêmica da Unilab e da Universidade Federal do Ceará (UFC).

O encontro conta ainda com o apoio da Pró-Reitoria de Extensão, Arte e Cultura (Proex), do Instituto de Literaturas e Linguagens (ILL), Instituto de Humanidades (IH), Grupo de Pesquisa África Contemporânea e Azânia – Grupo de Estudos e Pesquisa em Cultura, Gêneros, Sexualidades, Religião, Performance e Educação.

Luta e articulação

A partir da realização do 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e afro-caribenhas, em 1992, em Santo Domingo, República Dominicana, a data 25 de julho se estabeleceu na agenda global de articulação política, de produção e trocas de conhecimento e de estratégia para reversão de desigualdades que recaem sobre mulheres negras das/nas Américas e Caribe. Nesse encontro, foi criada a Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, reconhecida por órgãos internacionais de proteção à cidadania da população negra das Américas e do Caribe, sobretudo, das mulheres. No Brasil, a lei federal 12.987/2014 decretou a data 25 de julho como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

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