Pesquisadores da Unilab descobrem nova espécie de aranha no Maciço de Baturité

Macrophyes pacoti

Macrophyes pacoti: assim foi batizada a nova espécie de aranha descoberta no Maciço de Baturité, sob orientação do professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) Jober Sobczak, contando com a também professora Jullyana Sobczak, o bolsista de iniciação científica Ageu Nóbrega, do curso de Biologia, e o mestrando em Ecologia e Recursos Naturais (UFC) Ítalo Arruda. O nome da espécie faz referência a Pacoti/CE, município da região do Maciço de Baturité, numa forma de homenageá-lo por cuidar das florestas.

A descoberta foi divulgada em artigo na revista internacional Zootaxa, em parceria com pesquisadores do Instituto Butantan e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Já o fomento para realizá-la veio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), por meio de edital Bolsa de Produtividade em Pesquisa, Estímulo à Interiorização e à Inovação Tecnológica (BPI), e também do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Hymenoptera Parasitoides da Região Sudeste Brasileira (INCT-Hympar).

Macrophyes Pacoti

A nova espécie foi descrita com aranhas coletadas em Pacoti, porém, sua distribuição vai até o Rio de janeiro. Outro ponto abordado no artigo é a interação com o fungo Gibelulla sp., um fungo que ataca aranhas no mundo todo. “Observamos muitas aranhas parasitadas e agora estamos investigando os mecanismos adotados pelo fungo para interagir com a aranha. Já sabemos que o fungo é capaz de alterar o comportamento da aranha, deslocando aranhas parasitadas para morrerem em cima das aranhas não parasitadas, o que facilitaria a infecção de novas aranhas com os esporos do fungo”, explica Jober Sobczak.

Os trabalhos de pesquisa se concentram em parceria com o Sitio São Luiz, em Pacoti/CE. Desde 2014, o grupo de pesquisadores “varre” as matas do Maciço em busca de novas interações. O Maciço de Baturité é considerado uma ilha de vegetação de Mata atlântica, resquício de tempos atrás, que está cercada pela Caatinga. “Nessa ilha, temos a chance de encontrar muitas espécies novas, sendo que muitas delas apresentam relação com espécies amazônicas e espécies da Mata Atlântica. Essa é a primeira espécie de aranha que descrevemos, mas já descrevemos a espécie de vespa, Eruga unilabiana, Zatypota mulungunsis, Zatypota baeza e recentemente Conura baturitei, todas interagindo com aranhas e todas novas para a ciência”, destaca o professor.

Ensino, pesquisa e extensão

Jober Zobczak acredita que o suporte da Unilab é fundamental para o sucesso das pesquisas. “Sem o suporte da Unilab não teríamos como desenvolver nossa pesquisa. Precisamos de transporte para ir aos lugares remotos e fazer esse tipo de estudo e mostrar que aqui na Unilab fazemos pesquisa forte, semelhante às grandes universidades que estão estruturadas há mais de décadas. Hoje temos um laboratório, o de Ecologia e Evolução, que serve para as aulas e também para pesquisa e extensão e isso possibilitou que projetos e parcerias fossem firmadas”, afirma, citando parcerias com o Butantan, Unicamp, Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal do Espírito Santos (UFES) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

O professor comentou ainda sobre o papel de docente e pesquisador em uma universidade. “(nosso papel) extrapola os muros da universidade. Essas áreas de Mata Atlântica são um verdadeiro tesouro para a Biologia e temos urgência de conhecer e assim contribuir para evitar a sua destruição, principalmente devido à especulação imobiliária, que está fatiando a serra”, disse.

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