Participação da Unilab na Bienal do Livro contribui para aproximar as vozes da literatura africana com o Brasil

A Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) estará presente na XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará, que é realizada pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult) e acontece no Centro de Eventos do Ceará, de 16 a 25 de agosto de 2019, com o tema “As cidades e os livros”. Uma das principais contribuições da Unilab na realização desse evento é possibilitar a aproximação entre as expressivas vozes da literatura africana com o Brasil.

A coordenadora da Bienal, Goreth Albuquerque, destaca a parceria com a Unilab como fundamental para o evento, possibilitando que o público conheça diversos nomes e obras aos quais, geralmente, não teria acesso, garantindo o enriquecimento cultural entre esses dois mundos.

“Para nós, a Unilab é uma grande parceira, pois traz um conjunto de nomes, dentro do campo do livro, da leitura e literatura, de outros escritores de língua portuguesa que, em geral, não temos muito acesso, que são os escritores da África; essas vozes que têm em comum a língua, mas que conhecemos muito pouco devido à própria questão editorial, de não haver uma organização de um mercado editorial que garanta a circulação da língua portuguesa, em países que abrigam o idioma. Isso é algo que nos faz refletir sobre o quanto ainda precisamos avançar e temos pouco acesso”, declara.

Os escritores convidados estarão presentes no “Encontro: Oralidades & Escritas em Língua Portuguesa”, que acontece dentro da Bienal, na própria Unilab e em outros espaços, por meio de palestras, mesas redondas e encontros com o escritor, fortalecendo a diversidade cultural, a multiplicidade de sujeitos, de vozes, olhares e leituras sobre o mundo.

A Unilab já confirmou a vinda de seis grandes nomes literários, dentre eles, o escritor e uma das vozes mais admiradas da literatura contemporânea africana, Abdulai Sila, reconhecido por escrever o primeiro romance guineense: Eterna Paixão. Abdulai é publicado no Brasil pela editora Pallas, e traz para o evento uma discussão importante, apresentando tanto a escrita poética como a escrita da dramaturgia africana.

Abdulai Sila: uma das vozes mais admiradas da literatura contemporânea africana.

Abdulai Sila: uma das vozes mais admiradas da literatura contemporânea africana.

Abdulai possui uma grande participação no mercado editorial, sendo co-fundador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas; co-fundador da primeira editora privada em Guiné-Bissau, a Ku Si Mon Editora, e co-fundador da revista cultural Tcholona. Todo o conhecimento e a experiência do escritor, poeta, editor e dramaturgo prometem engrandecer a programação da Bienal.

Dentre os escritores confirmados pela Unilab para essa 13ª edição da Bienal estão, além de Abdulai, o moçambicano Aldino Muianga, as caboverdianas Dina Salústio e Vera Duarte e o guineense Manuel Casqueiro. Aldino Muianga é acompanhado no Brasil pelas editoras Kapulana e Maputo, tem contos incluídos em antologias publicadas em Portugal, no Brasil, na Suíça e na França, em várias páginas e revistas literárias em Moçambique.

Foi coordenador da página literária da revista SAPES, editada no Zimbábue em 1991 e 1992, onde publicou ensaios sobre literatura em língua portuguesa nos países africanos. Além disso, foi colaborador de primeira linha da revista Charrua, editada pela Associação dos Escritores Moçambicanos, e da revista ECO, editada pela Universidade Eduardo Mondlane. Atualmente, é membro da Associação dos Escritores Moçambicanos e é membro fundador da Associação de Médicos Escritores e Artistas de Moçambique. Aldino reside na África do Sul onde exerce a profissão de Médico-Cirurgião e docente na Faculdade de Medicina da Universidade de Pretória.

Entre as premiações já conquistadas pelo escritor está o Prêmio Literário José Craveirinha, 2009 (Contravenção, uma história de amor em tempo de guerra); Prêmio de Literatura da Vinci, 2003 (O domador de burros e outros contos) e o Prêmio TDM, 2002 (A Rosa Xintimana).

Já Dina Salústio é poeta e prosadora e foi uma das fundadoras da Associação dos Escritores Cabo-verdianos, assim como de diversas publicações literárias. Dina também é autora de um conhecido estudo sobre a violência contra as mulheres, editado em forma de livro.

A escritora é autora da coletânea de contos, histórias e crônicas, ‘Mornas eram as Noites’ (1994), que lhe valeu o Prêmio de Literatura Infantil de Cabo Verde. Além desses trabalhos, publicou o romance ‘A louca de Serrano’ (1998). Além desses trabalhos, Dina Salústio é criadora de poemas e de outros textos pelas revistas “Mudjer”, “Ponto&Vírgula”, “Fragmentos”, “Fragata”, pelo jornal semanário de Cabo Verde, “A Semana”, e pela antologia Mirabilis-de-Veias ao Sol.

Vera Duarte, natural de Cabo Verde, é poeta e romancista.

Vera Duarte, natural de Cabo Verde, é poeta e romancista.

Outra convidada natural de Cabo Verde é Vera Duarte, poeta e romancista, sendo premiada internacionalmente na sua função de autora e jurista, por sua atuação no contexto social do país. Vera foi a primeira mulher a entrar para a Magistratura em Cabo Verde.

A poeta foi também Ministra da Educação de seu país, obtendo obras e premiações importantes como “O Arquipélago da Paixão” (2001), A Candidata (2003) “Preces e Súplicas ou os Cânticos da Desesperança” (2005), “Construindo a utopia” (2007) e “A palavra e os dias” (2013). Quando desembargadora recebeu o Prêmio Norte-Sul de Direitos Humanos de Lisboa, atribuído pelo Centro Norte Sul do Conselho da Europa e o Prêmio Tchicaya u Tam’si de poesia africana e o Sanangol, pelo seu romance de estreia, “A Candidata”.

Sobre a Bienal

A Bienal chega a sua 13ª edição sendo reconhecida como um ambiente para a fruição artística, além de um importante espaço de construção de políticas do livro, leitura, literatura e bibliotecas, criando momentos para ouvir a opinião da sociedade e das entidades envolvidas. A estimativa é de que o espaço receba um público superior a 400 mil pessoas, durante os dez dias de feira. A feira é realizada pelo Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura (Secult), em parceria com o Instituto Dragão do Mar e com apoio do Ministério da Cidadania.

 

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