Egresso da Unilab coordena atividades agrícolas em área de preservação na Guiné-Bissau

“Identifiquei-me mais com o curso de Agronomia, não pelo fato de ser filho de agricultor, mas sim por ser um curso extremamente importante para o mundo e, principalmente, para um país como Guiné-Bissau, com demanda de profissionais da área de Ciências Agrárias para ocupar a cadeia produtiva dos alimentos de origem vegetal e animal”, assim Sanhá João Correia, recém-formado pela Unilab, explica sua escolha profissional.

O agrônomo, egresso da Unilab, agora trabalha na ONG Tiniguena, coordenando as atividades agrícola nas ilhas dos Bijagós que compõem Urok – uma Área Marinha Protegida Comunitária, ou seja, superfícies de terras e mar especialmente consagradas à proteção e preservação da diversidade biológica e dos recursos naturais e culturais, associados e gerenciados através de meios legais em regime de gestão compartilhada entre o Estado e a sociedade civil (formal e não tradicionais). As ilhas Urok situam-se na porção norte do Arquipélago dos Bijagós, fazendo parte dos conjuntos das ilhas prioritários para conservação da biodiversidade, devido às suas características naturais, formação de mangal, existência das aves marinhas, manatins e a própria capacidade de produção agrícola (2º PLANO DE GESTÃO, 2009). Essas ilhas apresentam a agricultura familiar e pesca como meios de subsistência.

A ponte para conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho foi feita ainda na Unilab, por meio do projeto “Fortalecimento do Ensino, Pesquisa e Extensão para a Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), vinculado à Pró-Reitoria de Relações Institucionais (Proinst) da universidade, na pessoa da professora Jaqueline Sgarbi. “Surgiu o privilégio de ter contato com o diretor executivo da ONG guineense Tiniguena, que me abriu portas através de um estágio profissional com várias possibilidades; também tive apoio de outros professores e colegas”, conta.

O curso de Agronomia da Unilab, além da formação profissional prática, também capacita à investigação cientifica relacionada às demandas dos agricultores camponeses através de disciplinas práticas, técnicas e científicas, com conteúdos relacionados aos países que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Assim, o profissional recém-formado se sente preparado para atuar em sua área e contribuir com o país de origem.

“Durante o período de estágio até o presente momento, estou atuando diretamente na área da agricultura, realizando as atividades de campo nas hortas comunitárias, hortas escolares e propriedades dos agricultores, tendo como missão desenvolver a agricultura familiar em Urok através das alternativas agroecológicas, contribuindo para segurança alimentar e nutricional das populações, e consequentemente apoiando a parte administrativa e logística no local. O contato com Urok foi de extrema importância, pois me possibilitou colocar em prática todos os conhecimentos interdisciplinares adquiridos no Brasil e as experiências do dia a dia através das vivências com os agricultores em campos de produção, bem como com os guardiões de sementes, pescadores e os beneficiários de créditos. Envolver-se diretamente nas atividades em Urok me fortalece cada vez mais”, relata Sanhá João.

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