Pesquisadores da Unilab e parceiros têm patente concedida pelo INPI; invenção garante redução de custos na produção de remédios derivados do sangue

Uma nova tecnologia está disponível no Brasil para a produção de remédios derivados do sangue, com redução de custos e de efeitos colaterais, graças a uma patente de invenção concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Em parceria com professores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp-SP) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp-SP), pesquisadores da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) conquistaram a patente que garante maior pureza nos medicamentos produzidos.

A solução proposta tem origem na pesquisa de mestrado da professora da Unilab Maria Cristiane Martins, desenvolvida na Unicamp, em 2009. São três os principais benefícios da tecnologia: 1) Não são detectadas impurezas no processo, com o uso da técnica de não interação com o medicamento de interesse; 2) Processo contínuo, mais eficiente do que os padrões atualmente utilizados; 3) Alto rendimento por processo contínuo.

“Por que o Brasil exporta sangue e importa remédios caros, se processar sangue é um negócio de R$ 1,5 bilhão?!”, é o questionamento feito pela professora Maria Cristiane que ajuda a entender a concessão da patente intitulada “Processo de purificação de imunoglobulina G (IGG) a partir do soro ou plasma humano por cromatografia em gel (ômega) – aminohexil-agarose ou (ômega)-aminodecilagarose”. Uma das soluções, segundo ela, é ter hemoderivados brasileiros.

Remédios derivados do sangue são essenciais no tratamento de AIDS infantil, déficits imunológicos, doenças autoimunes, neurológicas, hepatológicas e diversas doenças infecciosas, mas eles não são produzidos no Brasil. “Em nosso país existe uma demanda reprimida por esses medicamentos. No Canadá, o uso é de 140g/1000 mil habitantes, enquanto no Brasil é de 10g/1000 habitantes. Será que somos mais saudáveis?”, indaga a inventora.

Atualmente, os brasileiros que precisam diariamente dessas doses precisam esperar um processo de alto custo, resultado do envio de plasma do sangue de brasileiros para a França e processamento do sangue em solo francês. “A exportação do sangue e importação do medicamento já pronto torna o produto de alto custo, tornando comum o acionamento da Justiça para acesso ao medicamento”, explica a inventora, que aposta no maior aproveitamento do plasma brasileiro.

De acordo com a pesquisadora, a demanda reprimida chega a 84% no consumo brasileiro de imunoglobulinas. Trata-se, portanto, de um grande potencial de mercado, com a oportunidade de transferência de tecnologia brasileira para uso no Brasil. Agora, com a patente concedida, a tecnologia se encontra acessível para ser licenciada às empresas especializadas na produção de hemoderivados que tenham interesse em explorar comercialmente a nova solução.

A patente tem prazo de validade de 10 anos, contados a partir de 30 de julho de 2019. Interessados em parceria podem entrar em contato pelos e-mails: ieds@unilab.edu.br e parcerias@inova.unicamp.br. A equipe inventora garante que ainda não há no mercado mundial o uso dessa tecnologia de alta pureza.

Histórico da patente

Tendo início durante o mestrado da Profa. Maria Cristiane na Unicamp (2009), a pesquisa que desencadeou a patente foi realizada em conjunto com uma equipe de pesquisadores com trabalhos na área de purificação de proteínas. A docente continuou a pesquisa no período de um ano de doutorado na Universidade de Bolonha, na Itália.

Em 2010, ao retornar ao Brasil para o doutorado na Universidade Federal do Ceará (UFC), Maria Cristiane iniciou o processo de colaboração com o Departamento de Engenharia Química da UFC, na área de purificação de proteínas. Na Unilab, ela iniciou também o desenvolvimento de identificação de proteínas com a compra de equipamentos de análises qualitativas de proteínas e em processo de compra de equipamentos para purificação de proteínas.

Atualmente, a docente é lotada no Instituto de Engenharias e Desenvolvimento Sustentável (IEDS), instituto do qual Maria Cristiane é também vice-diretora.

Conheça um pouco dos inventores que trabalharam para a criação da patente:

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