Pesquisa desenvolvida na Unilab sobre uso de máscaras de tecido é destaque nacional

No dia 2 de abril, o Ministério de Saúde brasileiro passou a recomendar e estimular o uso das máscaras caseiras como barreira para a propagação do Covid-19. Naquele momento, pouco se sabia a respeito da real eficácia das máscaras e dos detalhes necessários para a sua confecção.

Foi aí que, rapidamente, a Profa. Lívia Moreira, docente do curso de Enfermagem da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), perceberam que “a população estava fazendo máscaras de todo jeito e com qualquer tecido, como lencinho tipo Perflex e roupas velhas”, constatou Lívia.

“Isso motivou a inquietação sobre a eficácia do uso dessas máscaras para prevenção de Covid-19”, completou a docente, que orientou o estudo intitulado “Máscaras de tecido para prevenção da Covid-19 e outras infecções respiratórias”, desenvolvido no mês de abril.

Os achados tiveram e continuam recebendo destaque nacional, a exemplo de matéria publicada no Jornal O Povo. Nas próximas semanas, o estudo será publicado na Revista Latino-Americana de Enfermagem – a previsão é para, no máximo, a primeira quinzena de julho.

As máscaras de tecido têm eficácia moderada na prevenção de infecções respiratórias ocasionadas por partículas de tamanho semelhante ao novo coronavírus, concluíram os pesquisadores. O percentual de proteção varia de 40 a 97% e os fatores que influenciam na barreira estão relacionados ao tipo de tecido utilizado, número de camadas, tamanho das partículas e quantidade de lavagens.

Após a quarta lavagem, há redução de 20% da barreira protetora. Da quarta à sexta lavagem, cai de 20 a 30% a eficácia da máscara para proteção contra gotículas respiratórias. “Depois disso, o ideal é evitar reusar essa máscara”, sugere o estudo.

Isso acontece porque os tecidos têm poros formados por microfibras. Com as lavagens, essas microfibras são reduzidas, provocando alterações no tamanho e forma dos poros.

Além disso, “a lavagem inadequada pode favorecer que a filtragem do tecido se torne insuficiente precocemente, o que será um risco para o desenvolvimento de infecções”, alertou Lívia Moreira, que é também doutora em Enfermagem pela UFC. A recomendação é o uso de máscaras de tecido grosso, como o algodão, que tenham mais de duas camadas.

É importante lembrar que o uso dessas máscaras, feitas de forma correta e com tecidos novos, além da parcela de proteção que oferecem, valorizam o comércio local e os costureiros e artesãos.

OMS

Máscaras de tecido, como algodão, polipropileno e poliéster com três camadas, que cobrem toda a região do nariz e boca, apresentam maior eficácia, conforme recentes orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

1) camada exterior: o tecido deve ser resistente à água, como o polipropileno ou poliéster;
2) camada do meio: serve como filtro e pode ser feita de algodão ou material sintético, como polipropileno;
3) camada interior: o tecido deve absorver a água como algodão.

Assista a este vídeo para entender um pouco mais sobre o uso de máscaras de tecido e os cuidados necessários. O material é de autoria dos enfermeiros Lívia Moreira (Unilab), Milleyde Lima e Joselany Áfio (UFC), Francisco Marcelo Cavalcante (UVA), Thamires Macêdo (UVA) e Nelson Galindo Neto (IFPE).

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