Resumo dos Simpósios – EEFL

FUNCIONALISMO E ENSINO: A perspectiva linguística funcionalista é ferramenta teórica e metodológica para um estudo da língua que leve em conta as situações reais de uso que de uma língua seus usuários façam em situações reais de comunicação. As possibilidades de compreensão dos fenômenos linguísticos a partir de um olhar funcionalista abrem uma perspectiva de trabalho com o ensino de língua que coaduna com a perspectiva proposta pelos Parâmetros Curriculares Nacionais – que privilegia a dimensão interacional e discursiva da língua. Nesse viés, o objeto de ensino é o texto-discurso, uma unidade de sentido com contexto e materialidade linguística, e o objetivo é a ampliação da competência comunicativa do aprendente. O objetivo desse simpósio é suscitar um espaço de reflexão e compartilhamento de experiências e pesquisas sobre como os caminhos teóricos-metodológicos funcionalistas podem subsidiar o trabalho docente com um sistema-em-função, ou seja, um trabalho por uma educação linguística de fato, que permita ao aprendente refletir acerca de circunstâncias concretas e diversificadas de atualização de uma língua. Assim, são pertinentes a esse simpósio relatos de experiências de ensino de língua – seja língua materna ou língua adicional – a partir de aportes funcionalistas, bem como apresentação de pesquisas concluídas ou em curso sobre fenômenos linguísticos estudados a partir de um aporte teórico-metodológico funcionalista.

FUNCIONALISMO, VARIAÇÃO E MUDANÇA: A investigação da língua em uso, sob o viés do paradigma Funcionalista e dos estudos da Sociolinguística, busca compreender e explicar as motivações para a variação e mudança linguísticas, o que permite a aproximação desses dois campos de estudos da linguagem e corrobora para confluências epistemológicas bastante úteis à explicação de fenômenos linguísticos. Este simpósio objetiva acolher pesquisas voltadas para a área da análise e descrição das variedades do português no Brasil, em Portugal e nos países lusófonos do continente africano, que coadunam princípios da Sociolinguística Variacionista e do Funcionalismo Linguístico na descrição da variação e mudança linguísticas nos diferentes níveis de análise linguística, como fonético-fonológico, morfológico, sintático, semântico, pragmático e discursivo, enfocando diferentes aspectos, como teoria, metodologia, descrição e ensino.

FUNCIONALISMO E DISCURSO: O Funcionalismo constitui um paradigma de investigação linguístico que compreende a língua como um instrumento de interação social, o que significa ver o sistema linguístico como mediação de aspectos cognitivos e discursivos envolvidos em seu contexto de uso. Sob o viés funcionalista, a língua assume um caráter maleável, flexível, pois suas funções decorrem do contexto de interação verbal e dos propósitos comunicativos de seus usuários. A análise da expressão linguística assentada na consideração de aspectos cognitivos e discursivos faz o analista priorizar por uma investigação que unifica os domínios da sintaxe, da semântica e da pragmática, assumindo a pragmática como o quadro mais abrangente dentro do qual a sintaxe e a semântica devem ser estudadas. Assume-se, portanto, que as regularidades linguísticas estão à serviço da construção dos sentidos (ideacionais, interpessoais e textuais) pretendidos no texto/discurso. Posto isso, este simpósio visa a receber trabalhos que objetivem descrever e analisar as funções textual-discursivas resultantes da relação não arbitrária entre o sistema linguístico e suas regularidades de uso. Pretende-se viabilizar o diálogo entre diferentes vertentes funcionalistas que desenvolvam análises dos processos linguísticos envolvidos na construção do texto/discurso e que dialoguem com perspectivas discursivas e enunciativas da linguagem na explicação da correlação entre forma e função.

FUNCIONALISMO E COGNIÇÃO: O Funcionalismo considera a linguagem humana como um conjunto de atividades complexas que integra os aspectos comunicativos, sociais, culturais e cognitivos, acionados e negociados na interação comunicativa para a produção de sentidos. Longe de ser um sistema isolado, a língua é resultado das escolhas pragmáticas e contextuais centradas uso, operadas por falantes reais em situações reais de uso. Nessa perspectiva, o Funcionalismo aproxima-se das ciências cognitivas, que compreendem a cognição como um conjunto de sistemas conectados, que envolvem não somente a linguagem humana, mas também aspectos como a percepção do mundo, a experiência, o armazenamento e processamento das informações.  Desse modo, este simpósio pretende reunir trabalhos que priorizem a discussão de resultados de pesquisas voltadas à interface funcionalismo e cognição ou à explicação dos fenômenos linguísticos, com base em motivações cognitivo-funcionais e sua relação com os aspectos cognitivos, conceptuais, interacionais, semânticos, pragmáticos e sociais subjacentes ao funcionamento da língua e ao processamento linguístico.