Seminário Pesquisa e Cooperação com África

A Unilab recebeu, nesta sexta-feira (31), o Seminário Pesquisa e Cooperação com África, promovido pela Pró-Reitoria de Relações Institucionais da Unilab, em parceria com a Universidade de São Paulo, por meio do Centro de Estudos Africanos. O encontro, que aconteceu no anfiteatro da universidade, contou com a presença do reitor Paulo Speller, de pró-reitores, de professores, de estudantes e de demais interessados pela temática africana.

Reitor Paulo Speller

Na mesa de abertura, o reitor Paulo Speller deu boas-vindas aos convidados e ressaltou a importância do evento para a formação acadêmica. “Esse seminário contribui para a ampliação sobre o conhecimento africano. Mas, além da realização de eventos, a Unilab busca parcerias e possibilidades de relações com outras instituições que atuam na área. Esse encontro também é importante porque estamos recebendo um representante de Benin, que não faz parte dos países africanos de língua portuguesa. É uma oportunidade para perceber como é fundamental o domínio das línguas estrangeiras”, disse o reitor sobre a presença do professor de Benin, Paulin J. Hountondji.

Pró-reitora Selma Pantoja

De acordo com a pró-reitora de Relações Institucionais, Selma Pantoja, o seminário é um momento para conhecer, refletir e divulgar o pensamento africano, por meio da sabedoria de escritores e pensadores. “Vamos conversar sobre filosofia e cosmovisão africana. Durante o seminário, serão tratados temas polêmicos. Esse evento faz parte de ações interculturais que a Unilab vem realizando para a cooperação com a África. Queremos promover a integração entre estudantes estrangeiros e brasileiros a partir de um conhecimento mútuo”, esclareceu a pró-reitora.

A mesa desta manhã, intitulada “Pesquisa e ensino nas universidades africanas”,  foi mediada pela pró-reitora Selma Pantoja e ministrada pela diretora do Centro de Estudos Africanos na USP, Tânia Macedo, e pelo presidente do Conselho Nacional de Educação de Benin, professor Paulin J. Hountondji.

Diretora do Centro de Estudos Africanos na USP, Tânia Macedo

Tânia Macedo fez um breve balanço do ensino da África nas universidades brasileiras. “Avalio de forma positiva. Nos últimos anos, esse tema vem se estabelecendo. No início, foi motivado pelos próprios pesquisadores, mas, atualmente, com o desenvolvimento de políticas públicas, principalmente a partir de 2003, é possível reconhecer a solidificação desse campo do saber. Estudar África não é mais algo exótico”. Sobre o papel da Unilab, em Redenção, e da Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, ela afirmou: “são duas entidades que marcam um novo momento dos estudos africanos no Brasil tanto na graduação como na pós-graduação. É o contato direto com a África, por meio da produção e acolhida de saberes”.

Presidente do Conselho Nacional de Educação de Benin, Paulin J. Hountondji

Presidente do Conselho Nacional de Educação de Benin, Paulin J. Hountondji

O pesquisador Paulin J. Hountondji envolveu temas polêmicos ao tratar de pesquisas realizadas por universidades africanas no contexto de globalização mundial. Ele iniciou fazendo alguns questionamentos para os participantes: “Qual é a norma da nossa prática científica atualmente? Como fazemos ciência na África? Quais os são instrumentos tecnológicos utilizados? Quem são os autores? Quais são os interesses? Quem se aproveita dessas pesquisas?”. A partir dessas reflexões, ele falou sobre a atividade científica do país e a cooperação com o Brasil. “Não podemos esquecer o paralelismo que há entre a atividade científica e a realidade econômica. A etnofilosofia africana é essencialmente destinada à exportação. É uma visão ocidental, do americano e do europeu, mas nós também temos uma filosofia. Eu percebo uma nova solidariedade entre Brasil e África. Os dois países estão vivendo momentos de desenvolvimento, mas também em meio a conflitos e problemas”, esclareceu.

No período da tarde, o Seminário teve continuidade com a mesa “Agricultura e cooperação internacional”, com a presença dos convidados: Ricardo Elesbão Alves, da Embrapa Labex – EUA (Texas A&M University); Marco Aurélio Delmondes Bomfim, da Embrapa Caprinos – Brasil; Carlos Frederico Demerutis – Peña, da EARTH University, Costa Rica. A mesa foi mediada pelo coordenador da Área de Desenvolvimento Rural, Rodrigo Aleixo Brito de Azevedo. O currículo dos convidados foi apresentado pela professora Socorro Rufino.

Na abertura da mesa, o professor Rodrigo Aleixo destacou que o debate sobre a cooperação internacional em agricultora é um momento ideal para a Unilab refletir aonde quer chegar na área de desenvolvimento rural. “A cooperação é um trabalho conjunto, tem um sentido de fazer junto”, diz. Para ele, a cooperação com países do eixo Sul Sul na área de agricultura é uma oportunidade de aprender e desenvolver métodos de como sobreviver com a lógica da escassez. “Essa cooperação não é importante só para a Unilab, mas também para um projeto de civilização. Nós precisamos fazer uma mudança de padrão de tecnologia para garantir a sobrevivência das populações futuras”, explica.

Ricardo Elesbão

Os representantes da Embrapa descreveram como a empresa atua na cooperação internacional. Ricardo Elesbão explicou que a cooperação internacional é desenvolvida em três facetas: cooperação científica, cooperação técnica e na realização de negócios. Segundo ele, a Embrapa hoje mantém cooperação com os EUA, Europa, Coréia, China e Japão. Já a cooperação técnica é desenvolvida em países da América Latina e África.

Na área de cooperação científica, a Embrapa mantém nos países parceiros laboratórios virtuais onde são realizadas pesquisas em áreas estratégicas, realizado treinamento de pessoal e o intercâmbio de pesquisadores. Na cooperação técnica, são apoiados pequenos projetos e realizado treinamentos. “A proposta é atender as demandas de pesquisa e inovação apresentadas por esses países. Buscamos soluções tecnológicas para problemas locais que passam por saberes locais”, explica.

Marco Aurélio Delmondes Bomfim

Marco Aurélio Delmondes Bomfim apresentou a Plataforma de Inovação e Desenvolvimento Brasil – África em Agricultura e explicou que o trabalho desenvolvido pela empresa com os países parceiros se baseia na ideia de que problemas comuns devem ter soluções compartilhadas. “A nossa proposta foi compartilhar com os países do Hemisfério Sul o conhecimento acumulado pela Embrapa ao longo dos anos”, diz. Ele destaca que o objetivo é construir conjuntamente o conhecimento.

Segundo ele, a Plataforma de Inovação e Desenvolvimento Brasil – África em Agricultura tem como proposta o intercâmbio de conhecimentos, a promoção de investimentos e o suporte ao desenvolvimento agrícola. “As propostas finciadas pela Platagorma recebem até 80 mil dólares por até dois anos. A chamada para o edital de seleção deste ano tem previsão de sair em dezembro”, anuncia.

Tendo como foco a cooperação acadêmica, o  professor Carlos Frederico Demerutis apresentou a universidade em que trabalha, a EARTH University, localizada na Costa Rica. Com um modelo educativo holístico, a formação na universidade associa o aprendizado de conhecimentos técnicos e científicos, o incentivo à responsabilidade social e ambiental, a promoção de valores e da ética e a mentalidade empresarial. “Temos atualmente alunos de 24 países. Hoje formamos engenheiros agrícolas, mas a nossa proposta principal é formar pessoas que vão ser úteis à sociedade”, enfatizou.

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