Pingo de Fortaleza e outras atrações marcam último dia do IV Festival das Culturas da Unilab

O IV Festival das Culturas da Unilab chegou ao terceiro e último dia de programação, na sexta-feira (24), na cidade de Baturité/CE, com a luxuosa presença de Pingo de Fortaleza e o Maracatu Solar; do grupo de dança Oré Anacã; dos grupos Vozes d’África, Unisons e banda Labora – pratas da casa – e do Instituto Katiana Pena, de dança, além de um dia inteiro de oficinas e palestras.

O grupo Maracatu Solar, sob a regência do cantor e compositor cearense Pingo de Fortaleza, subiu ao palco na Praça Matriz, dentro da noite azul, com sua musicalidade inspirada nos batuques do Maracatu Az de Ouro e concepção estética de figural – com forte influência das escolas de samba e dos vestuários medievais –, fazendo referência à cultura afro-brasileira e à artesania cearense.

Pingo de Fortaleza destacou a alegria em participar do IV Festival das Culturas da Unilab e a importância de eventos culturais realizados pelas universidades. “A Unilab é uma universidade muito importante, precisamos fortalecer as relações Brasil-África e eu me sinto alguém que tem muita afinidade com a Unilab, principalmente por uma questão matricial, cultural de matriz africana. A Unilab é um renovado caminho, uma troca de conhecimento com respeito mútuo”, declarou.

As apresentações na Praça Matriz tiveram início com a banda Labora, formada por estudantes da Unilab, com vasto repertório, inclusive músicas em Umbundo, uma das línguas bantus mais faladas na Angola.

Em seguida, o Instituto Katiana Pena trouxe o espetáculo de dança “A rua é NOIZ”, uma mistura de arte, luta e resistência que poderia muito bem ser sintetizada na citação ao rapper Emicida: “As pessoas são como palavras, só têm sentido junto das outras”. A instituição, localizada no bairro Bom Jardim, em Fortaleza/CE, vale-se da dança também como uma forma de inclusão social. O espetáculo transitou por linguagens e estilos musicais vários, do clássico ao hip hop, passando por brega e reggaeton, entre outros, e conseguiu enlevar o público tão diverso do Festival das Culturas.

O grupo Oré Anacã, da Universidade Federal do Ceará (UFC), apresentou “Entre penas e contas”, em que repertório vasto e figurino fiel transportam o público a cada pedacinho do Brasil, por meio de danças como reisado, frevo, maracatu pernambucano, carimbó, siriri e outras. Coordenador do grupo, o professor Marcos Campos destaca os anos de pesquisa e as 14 viagens a diversas regiões do país para que se estudassem nossas danças típicas, com influências indígenas e afro-brasileiras. Oré Anacã, inclusive, significa “Nossa dança”, na língua Tupi.

Unilab é Brasil e África também, por isso, o grupo Vozes D’África embalou a todos com canções dos países africanos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Lançado em 2017, o projeto privilegia a música, por entender que ela se articula transversalmente com uma série de outras linguagens (como o teatro, a literatura, dança e formas específicas das tradições culturais dos diversos países). A noite se encerrou com o espetáculo “Sons da Integração”, do Grupo Unisons, resultado do projeto de extensão “Performance da Cultura Afrodescendente – Uniculturas”, vinculado à Proex/Unilab.

Festival cada vez mais forte

Realizado pela Pró-Reitoria de Extensão, Arte e Cultura (Proex), o evento tem três dias de intensa programação, desde apresentações musicais, teatrais, de dança a palestras, exibição de filmes e oficinas.

O reitor da Unilab, Alexandre Cunha, destacou a satisfação em levar o Festival das Culturas da Unilab para mais cidades do Maciço de Baturité, além de Redenção e Acarape, como se tem sonhado desde o início. “Que na próxima edição possamos levar (o festival) a mais cidades ainda. Podem contar com a gente para que a arte e a cultura no Maciço possam se desenvolver”.

Vivências

O estudante Abdel Cassamá, guineense, participou da coordenação da V Semana da África e sublinha a importância da experiência para a formação profissional. “É uma experiência ímpar, com várias nacionalidades e oportunidades, cada qual com sua forma de organização e valores, o que agrega à minha formação como estudante e futuro profissional, é um outro tipo de educação, fora da sala de aula”, afirma.

Como público, a moradora de Baturité, Luzia Xavier, assistia a tudo com a filha de três anos, a pequena Francisca Gabriela. “É uma maravilha para a cidade. Eu vim porque ouvi a divulgação no carro de som e espero que o evento ocorra mais vezes aqui”, disse.

Palestras e oficinas

O dia transcorreu no Instituto Federal do Ceará, campus Baturité, com palestras, exposições e oficinas. Logo cedo, a palestra “Saúde: Práticas Integrativas Complementares (PICS)” tratou de terapias como auriculoterapia e florais de bach, com ampla participação de estudantes do Liceu de Baturité Domingos Sávio, do curso técnico em Enfermagem.

Houve ainda a palestra “Desmistificando a África”, com os estudantes da Unilab Luciano Marcolino, Luís Felipe Sá e Orwanda Brasão, em que chamou-se a atenção para o fato de a África ser o continente que mais cresce em todos os indicadores macroeconômicos e, ainda assim, não ter o reconhecimento adequado como produtores de conhecimento. “Os africanos residentes no Maciço buscam reverter os preconceitos, com diversas atividades de caráter reflexivo e cultural, mostrando o outro lado da África, com sua contribuição para a humanidade”, sublinhou Luciano.

As oficinas proporcionaram diversas vivências aos participantes do festival, desde danças, culinária, leitura dramatizada, oficina de tranças, entre outras.

O Grupo Vozes d’África, do Núcleo de Gastronomia, que debate gastronomia, cultura e saúde, ministrou duas oficinas: uma de peixe grelhado e peixe ao molho de fogo, pratos típicos de São Tomé e Príncipe, com as estudantes Sábado Dabó e Maina Costa; e outra de Siga e caldo de amendoim – pratos típicos da Guiné-Bissau que levam quiabo, amendoim e carne bovina –, com as Nancy da Costa, formada em Agronomia, e Raíssa Djaló, do curso de Administração Pública.

“Sentimos muita diferença na comida. Em nosso país, havia muitos pratos com peixes defumados, com uma técnica parecida com a da carne seca daqui, e também pasta de amendoim e azeite de dendê. A feijoada e a cachupa nos ajudam a matar a saudade da comida de casa”, cita Sábado.

A professora Carol Bernardo, coordenadora do Núcleo de Gastronomia, explica que a intenção da oficina é vivenciar a relação alimento e nutrição com a cultura e, assim, comunicar à região do Maciço de Baturité sobre a gastronomia dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). “Cada prato está ligado a um rito”, destaca. As reuniões do núcleo ocorrem semanalmente, na Unidade Acadêmica dos Palmares – para mais informações, envie e-mail a carolcostabernardo@unilab.edu.br.

Já na oficina “ContraCena: uma leitura da comédia ‘Os vivos, o morto e o peixe-frito’”, de Ondjaki, ministrada pela professora Andrea Muraro, os participantes puderam se debruçar sobre excertos do texto citado e, em seguida, realizar leitura dramatizada. “A oficina busca introduzir técnicas de leitura dramatizada, voltando-se para a prática pedagógica”, explica Muraro.

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